ANGELA JORDÃO
DA REDAÇÃO
O desembargador Deosdete Cruz Jr, que tomou posse no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) na manhã dessa sexta-feira (07/03), declarou que se sente “totalmente imparcial” para atuar em ações que envolvam o governador Mauro Mendes e o Estado de Mato Grosso. A nomeação e posse de Deosdete, ex-procurador Geral de Justiça do Estado (2023-2024), foi contestada pelo deputado federal Emanuelzinho (MDB), que pediu a impugnação da indicação e a suspensão da posse no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O parlamentar apontou vícios, fraude eleitoral e um “jogo de cartas marcadas” na indicação de Deosdete ao cargo no TJMT, que teria sido combinada com o governador Mauro Mendes. O CNJ indeferiu o pedido do deputado. Já o mais novo desembargador disse ter recebido a contestação de Emanuelzinho com resignação. “Os órgãos de controle estão aí justamente para serem acionados. O deputado agiu no direito dele. Confiamos no sistema de Justiça, no sistema de controle e aguardei com resignação a decisão do CNJ. Toda essa pecha de parcialidade já foi refutada, com unanimidade, pelo Conselho Nacional do Ministério Público”.
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Deosdete Cruz Jr declarou, ainda, que mantém com o governador uma relação institucional, assim como com os demais Poderes. “No Ministério Público, compus uma relação institucional com todos os Poderes. Me sinto totalmente imparcial para atuar nas questões do Estado, claro, analisando caso a caso. Se for uma situação em que eu tenha atuado como procurador geral, então surgirá um impedimento porque já terei externado a minha posição antes. No mais, guardo a convicção de que o magistrado tem que ser imparcial, sereno e corajoso para tomar as decisões que precisam ser tomadas”.
Questionado se declararia suspeito caso tenha que julgar um processo envolvendo Mauro Mendes, o desembargador disse que “se estiver suspeito para examinar qualquer processo do governador do estado, que eu desconheço que exista um, eu também estaria suspeito para atuar no colegiado do TJMT, pois a relação que tenho com ele (Mauro Mendes) é a mesma que tenho com os demais desembargadores, deputados estaduais, secretários de Estado e os 264 membros do Ministério Público”, finalizou.
Sobre a mudança de atuação, de acusador no Ministério Público para o de julgador no Judiciário, Deosdete Cruz Jr disse estar “consciente do enorme desafio que tenho pela frente”. “É um aprendizado, uma carreira nova. Ainda que seja todo um sistema de Justiça, a função de magistrado é diferente. Minha missão é trazer a experiência de 20 anos no MP, mas aprender com os integrantes do colegiado e somar, nesse esforço de entregar uma prestação jurisdicional célere e justa. Essa vai ser a minha incessante busca”.
Segundo o desembargador, ele será designado para atura na Câmara de Direito Público e Coletivo.
Vida e carreira
Deosdete Cruz Jr foi eleito pelo Quinto Constitucional destinado ao Ministério Público em sessão administrativa do Pleno do TJMT, em 27 de fevereiro, na vaga aberta com a aposentadoria do desembargador Guiomar Teodoro Borges. Ele é natural de Cornélio Procópio (PR). Casado e tem uma filha. Formado em Direito pela Universidade de Cuiabá, é pós-graduado em Direito Constitucional e Direito Ambiental. Atuou perante o Ministério Público Estadual por 20 anos, exercendo o cargo efetivo de analista jurídico entre 2004 e 2005, até ser aprovado em primeiro lugar no concurso para promotor de Justiça, tomando posse em abril de 2005.
Atuou na Promotoria de Justiça de Várzea Grande desde 2015. Também atuou nas Promotorias de Justiça de Dom Aquino, Juscimeira, Guiratinga, Itiquira, Rondonópolis, Comodoro, Nova Mutum e Tangará da Serra. Foi diretor de Defesa Institucional e Integração da Associação do Ministério Público Mato-grossense (AMMP), na gestão 2014-2016.
Atuou como Subprocurador-geral de Justiça Jurídico e Institucional, entre 2019 e 2023; e, entre 2023 e 2025, foi procurador-geral de Justiça do Estado. No último biênio, assumiu a função de vice-presidente para a região Centro-Oeste do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais do Ministério Público dos Estados e da União (CNPG) e exerceu a função de 1º vice-presidente do Conselho de Previdência do Estado de Mato Grosso. Após deixar a chefia do MPMT, passou a atuar na coordenação no Núcleo de Apoio para Recursos aos Tribunais Superiores (Nare).
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