Daniel Vorcaro, do Banco Master, protagoniza uma das maiores movimentações do mercado bancário

Tamanho do texto
Ajuste a leitura da página. Suas preferências ficam salvas.
100%
Ouça esta notícia
Clique em Ouvir. Você pode ajustar a velocidade.

Reprodução

Uma movimentação relevante no setor financeiro brasileiro foi anunciada recentemente e envolve duas instituições que operam em segmentos distintos do mercado: o Banco de Brasília (BRB), e o Banco Master, comandado por Daniel Vorcaro.
O BRB confirmou a aquisição de uma participação importante no Master. A transação inclui a compra de 49% das ações ordinárias e 100% das ações preferenciais da instituição, o que confere ao BRB 58% do capital total do Banco Master. Apesar da participação majoritária no capital total, o controle do banco permanece com Daniel Vorcaro, que também passa a exercer a função de chairman da companhia.
Essa operação marca a formação de um novo conglomerado financeiro no Brasil, com implicações tanto para o mercado bancário quanto para a dinâmica de funding das instituições envolvidas. A transação ainda depende de aprovação do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE).
Avaliação da operação
A negociação foi avaliada em cerca de R$ 3,5 bilhões, com base em um múltiplo de 0,75 vezes o valor patrimonial (book value). Considerando que o patrimônio líquido do Banco Master gira em torno de R$ 4,7 bilhões, a transação foi realizada em um patamar semelhante ao da cotação do BRB na B3, que atualmente vale cerca de R$ 3,6 bilhões no mercado.
A utilização do múltiplo de 0,75x book é considerada conservadora em relação ao histórico recente de fusões e aquisições no setor financeiro, principalmente entre instituições que apresentam um retorno sobre o patrimônio (ROE) elevado, como é o caso do Banco Master.
Diferença nos perfis de operação
O BRB e o Banco Master operam com perfis distintos. Enquanto o BRB possui um custo de funding de aproximadamente 89% do CDI e um ROE na casa dos 10%, o Banco Master tem um custo de captação mais elevado, próximo de 120% do CDI, mas com um retorno sobre o patrimônio significativamente superior — 28% no último ano.
A complementaridade entre as estruturas de funding das duas instituições aparece como um dos pilares centrais para viabilizar o negócio. O BRB, por sua vez, tem acesso a uma base de funding sólida, com destaque para recursos provenientes de folhas de pagamento de servidores públicos e depósitos judiciais, o que garante certa estabilidade e independência de plataformas de distribuição.
Com a transação, a expectativa é de que o custo de funding do Master seja reduzido gradualmente, podendo cair para cerca de 108% do CDI no curto prazo, com projeções que indicam um custo inferior a 100% do CDI em até dois anos.
Estrutura do novo conglomerado
Embora as duas instituições devam manter suas operações separadas, a negociação une seus ativos e passivos sob o mesmo guarda-chuva prudencial, o que implica em um conglomerado supervisionado de forma integrada pelo Banco Central. Na prática, isso significa que riscos e reservas de capital passam a ser avaliados de forma conjunta, o que pode influenciar a alocação de capital futuro e os níveis de exigência regulatória.
Combinados, os dois bancos terão um patrimônio líquido estimado em R$ 10 bilhões e ativos somando cerca de R$ 140 bilhões. Esse porte coloca o novo grupo na categoria ‘S2’ do sistema financeiro nacional, o que significa um nível de importância sistêmica intermediário. Existe a possibilidade de, com o tempo, a instituição ser reclassificada para a categoria ‘S1’, onde estão players como Itaú, Bradesco e Santander, dependendo da evolução dos indicadores operacionais e do volume de ativos. TRANSAÇÃO FINANCEIRA Daniel Vorcaro, do Banco Master, protagoniza uma das maiores movimentações do mercado bancário Daniel Vorcaro, do Banco Master, protagoniza uma das maiores movimentações do mercado bancário

Compartilhe :

Veja mais