Condenados por tortura contra o casal em MT

tortura contra o casal: condenação de integrantes do Comando Vermelho em MT
Condenação de membros do Comando Vermelho pela tortura contra o casal em Juara, MT.
Tamanho do texto
Ajuste a leitura da página. Suas preferências ficam salvas.
100%
Ouça esta notícia
Clique em Ouvir. Você pode ajustar a velocidade.

A Justiça de Mato Grosso condenou integrantes do Comando Vermelho pelos crimes de organização criminosa e tortura praticados contra um casal em Juara, a 709 km de Cuiabá. A sentença aponta que a tortura contra o casal ocorreu após uma emboscada, com ameaças de morte e tentativa de execução, interrompida pela atuação da Polícia Militar. Mais informações em Portal163 MT.

Conforme a investigação, Arimarcos Batista Fernandes e a companheira, Laís Karoliny Noia Silva, foram levados até uma residência no bairro João de Barro após Arimarcos combinar a compra de uma porção de maconha com um conhecido. Ao chegar ao imóvel, foram surpreendidos por diversos integrantes do Comando Vermelho.

Durante horas, Arimarcos foi rendido, amarrado a uma cadeira e submetido a interrogatório, com exigência de confissão sobre a ligação com o PCC. Ele foi espancado com socos, chutes e golpes com facões, facas, machado, tesoura de poda, bisturi e alicate, além de tentativas de arrancar dentes e mutilar orelhas e dedos. A tortura contra o casal ficou documentada em perícias e depoimentos.

Laís também foi rendida, amarrada e mantida em cárcere privado, com ameaças de morte durante toda a ação, obrigando-a a assistir às agressões contra o companheiro.

tortura contra o casal

Durante a tortura, os integrantes realizaram uma videochamada com lideranças da facção. As vítimas relataram ter ouvido um integrante apelidado de “Boladão” determinar a morte de Arimarcos e libertar Laís apenas se ela jamais procurasse a polícia.

Depois das agressões, Arimarcos foi levado em veículo a outro ponto da cidade, onde a execução seria concluída. No trajeto, ele conseguiu desamarrar as mãos e tentar fugir, mas foi novamente espancado até a chegada de uma equipe da Polícia Militar.

Na sequência, os policiais prenderam em flagrante Maria Eduarda da Silva Oliveira e Elias Almeida da Silva, conhecido como “Patati”, no imóvel onde Laís permanecia. A partir de depoimentos, perícias, mensagens extraídas de celulares e áudios entre os integrantes, a Polícia Civil identificou os demais envolvidos.

Na sentença, o magistrado afirmou que as provas demonstram atuação organizada, com funções definidas dentro da estrutura do Comando Vermelho. Em relação a Ronald da Silva, as mensagens revelaram que ele recebeu ordens para comandar as agressões, diante da não conformidade de outros em cumprir as determinações.

A decisão também registra que Ronald confessou ter escondido, no forro do banheiro de sua residência, um revólver calibre .38 retirado de Arimarcos durante o crime. A arma foi localizada pelos investigadores após a indicação do próprio acusado.

  • Arimarcos Batista Fernandes — condenado por organização criminosa e tortura, conforme a decisão.
  • Elias Almeida da Silva (“Patati”) — condenado pela participação nas torturas e no cárcere privado.
  • Francisco Taveiras da Silva (“Sinistro”) — condenado pela participação direta nas torturas.

Guilherme de Jesus de Oliveira foi absolvido. O Ministério Público defendia que ele seria o integrante apelidado de “Boladão”, mas o juiz entendeu que as provas não eram suficientes para confirmar a participação.

A sentença conclui que a tortura foi utilizada como instrumento de disciplina da facção para obrigar as vítimas a confessarem suposta ligação com o PCC e aplicar o chamado “salve”, punição interna das organizações criminosas.

As evidências mostram ainda a tortura contra o casal como prática organizada pela facção para impor submissão, não apenas punir supostas ligações com o PCC.

Compartilhe :

Veja mais