A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) defendeu enfaticamente a competitividade do agro brasileiro no cenário internacional. Nesta quarta-feira (03/09), durante uma audiência pública em Washington, EUA, a entidade negou categoricamente acusações de práticas desleais de comércio direcionadas aos Estados Unidos.
Audiência Seção 301: Foco da Defesa
A audiência girou em torno da Seção 301 da Lei de Comércio americana. Essa legislação permite ao governo dos EUA investigar práticas comerciais que possam ser consideradas injustas ou discriminatórias, prevendo a aplicação de sanções unilaterais caso irregularidades sejam comprovadas.
“Viemos defender os produtores e o agro brasileiro”, declarou Sueme Mori, diretora de Relações Internacionais da CNA. Ela ressaltou a importância do Código Florestal do país e o respeito dos produtores às leis, apresentando evidências de que o crescimento do setor ocorreu em conformidade com as regras internacionais de comércio.
No dia 15 de agosto, a CNA protocolou uma manifestação com argumentos técnicos, demonstrando a conformidade e legalidade das políticas brasileiras. Os três eixos questionados pelos americanos foram abordados: “Tarifas Preferenciais”, “Acesso ao Mercado de Etanol” e “Desmatamento ilegal”.
Ademais, a entidade teve seu pedido de participação na audiência pública aceito. Durante seu pronunciamento, Sueme Mori reiterou o compromisso da CNA com a transparência e o comércio justo, destacando a representatividade dos mais de 5 milhões de produtores rurais brasileiros.
Transparência e Fundamentos Legítimos
Segundo Sueme, a força do agro brasileiro advém de fundamentos legítimos, como recursos naturais e investimentos em inovação. Dessa forma, a entidade refuta veementemente qualquer alegação de que o acesso ao mercado americano dependa de práticas desleais de comércio ou ambientais inadequadas.
“Os produtores rurais brasileiros operam sob normas rigorosas de conformidade”, assegurou Sueme. Isso garante segurança, qualidade e transparência para consumidores em todo o mundo, incluindo os norte-americanos; o rigor é uma marca do setor.
Em sua fala, Sueme Mori explicou que o Brasil possui uma rede limitada de acordos comerciais. Especificamente no agronegócio, apenas 5,5% das exportações brasileiras se beneficiam de alíquotas preferenciais. Por outro lado, mais de 90% das importações brasileiras seguem o princípio da Nação Mais Favorecida, garantindo igualdade de tratamento aos produtos dos EUA.
Etanol e Questões Ambientais
Em relação ao etanol, um dos pontos da investigação americana, Sueme Mori informou que, em 2024, o Brasil importou dos Estados Unidos 17 vezes mais etanol do que da Índia. O México, em contrapartida, não registrou exportações relevantes.
No âmbito ambiental, Sueme Mori enfatizou que o Brasil possui um dos marcos regulatórios mais rigorosos do planeta. O Código Florestal, por exemplo, exige a preservação de vegetação nativa em propriedades privadas. Atualmente, 66% do território nacional é coberto por vegetação nativa, com metade dessa área preservada em imóveis rurais privados, mantida pelos próprios produtores.
A porta-voz da CNA ainda destacou os benefícios mútuos da relação comercial Brasil-EUA. “Se por um lado o mercado americano é o terceiro principal destino das exportações do agro brasileiro, por outro somos um relevante consumidor de insumos, tecnologias e equipamentos industriais produzidos nos EUA”, afirmou. Em 2024, o Brasil importou mais de US$ 1,1 bilhão em fertilizantes, máquinas agrícolas e sementes dos EUA.
Concluindo, Sueme Mori reafirmou que a parceria entre os países impulsiona a inovação, gera empregos e renda em ambas as nações, e fortalece a competitividade e a sustentabilidade dos sistemas de produção de alimentos. Para mais informações sobre o agronegócio, confira nossas notícias em portal163.com.br/agronegocio.
“Reiteramos a disposição do setor agropecuário brasileiro para o diálogo construtivo e a cooperação com os Estados Unidos”, finalizou. Uma relação comercial baseada em evidências, integridade e respeito mútuo é crucial para enfrentar os desafios globais da agricultura e da segurança alimentar.









