A Justiça de Mato Grosso condenou o cirurgião plástico condenado, João Fernando dos Santos Mello, e a clínica “Plástica para Todos Eireli”, a indenizar em mais de R$ 80 mil uma paciente. Isso se deu após graves complicações advindas de uma cirurgia estética. A decisão, publicada nesta terça-feira (30), é do juiz Yale Sabo Mendes, da 7ª Vara Cível de Cuiabá.
Cirurgião plástico condenado por falha grave
A autora da ação buscou o programa “Plástica para Todos” para realizar três procedimentos simultaneamente: lipoescultura, abdominoplastia e enxerto nos glúteos. A cirurgia ocorreu em setembro de 2019, e inicialmente, tudo parecia normal. Poucos dias depois, todavia, o quadro mudou drasticamente.
Quatro dias após o procedimento, a paciente relatou dores intensas e inchaço severo. Durante uma drenagem linfática, a enfermeira notou manchas escuras, indicando isquemia e necrose na região da incisão cirúrgica. Portanto, a situação era preocupante.
Segundo os autos, o cirurgião foi alertado, porém apenas recomendou sessões de oxigenoterapia hiperbárica. Contudo, o quadro se agravou rapidamente. Os pontos abriram, resultando em infecção e secreção com odor forte. Uma médica infectologista, em seguida, indicou antibióticos de amplo espectro.
“O tormento começou no pós-operatório, que deveria ter sido um período tranquilo. Em vez de acompanhamento médico adequado, tive que correr atrás de tratamento por conta própria, enquanto a ferida só piorava”, relatou a paciente no processo, destacando ainda o significativo impacto psicológico.
O processo revelou que, após a cirurgia, a paciente praticamente não teve mais contato com o médico responsável. O perito nomeado pela Justiça confirmou uma falha grave na assistência médica, a ausência de um termo de consentimento informado e a demora no diagnóstico. O laudo apontou, adicionalmente, que as sequelas exigem cirurgia reparadora.
O custo dessa cirurgia reparadora pode variar entre R$ 60 mil e R$ 120 mil, com uma recuperação de pelo menos 6 meses. Diante das provas contundentes, o juiz Yale Sabo Mendes concluiu que o cirurgião agiu com flagrante negligência. “Não se pode afastar o nexo de causalidade entre a intervenção realizada e os danos sofridos pela autora. As fotografias juntadas aos autos falam por si e ilustram, de maneira irrefutível, o resultado final insatisfatório”, afirmou o magistrado em sua sentença.
O juiz fixou a condenação em R$ 30 mil por danos morais, devido à dor e sofrimento experimentados. Além disso, foram estabelecidos R$ 30 mil por danos estéticos, em razão das cicatrizes permanentes. Finalmente, R$ 20,8 mil foram estipulados por danos materiais, referentes a medicamentos, tratamentos e procedimentos extras que a paciente precisou arcar. No total, a indenização ultrapassa R$ 80 mil, sem contar juros e correção monetária.
O médico e a clínica também terão que arcar com as custas processuais e honorários advocatícios de 20% sobre o valor total da condenação. Para mais informações sobre direitos do consumidor e casos judiciais, consulte nosso portal em https://portal163.com.br/categoria/justica/.
Histórico do programa “Plástica para Todos”
Esta não é a primeira vez que o programa “Plástica para Todos”, conhecido por oferecer cirurgias estéticas a preços populares, se vê envolvido em disputas judiciais por erros médicos. Em 2018, o Conselho Regional de Medicina chegou a interditar os médicos que atuavam nos consultórios em Mato Grosso. A justificativa foi a necessidade de “preservar a dignidade do atendimento à população e a segurança do ato médico”.
A medida drástica foi tomada após a morte de uma paciente de 33 anos, Danielle Ferreira Lima, vítima de complicações durante uma cirurgia. Novas denúncias surgiram após este triste episódio, mas o Programa Plástica Para Todos, apesar de tudo, continua em funcionamento na capital mato-grossense.










