O câncer de mama quase sempre não dói, nem sempre apresenta sinais perceptíveis e nem sempre interfere na rotina de quem está desenvolvendo a doença. O alerta é do médico mastologista Aguiar Farina, presidente do Conselho de Administração da Unimed Cuiabá, em artigo sobre o Outubro Rosa.
Segundo ele, é justamente a ausência de sintomas, em muitos casos, que torna a prevenção e o diagnóstico precoce tão importantes. “Esperar o corpo avisar pode significar perder um tempo precioso”, escreveu.
Adiamento como hábito
Farina observa que muitas mulheres organizam a rotina inteira, mas deixam a própria saúde para quando sobrar tempo. Trabalho, família e compromissos acabam colocando as necessidades pessoais em último lugar.
“A consulta que seria marcada na segunda-feira fica para a próxima semana. O exame que deveria ser feito naquele mês passa para o seguinte. E, sem perceber, o adiamento se transforma em hábito”, afirmou.
Para o mastologista, o Outubro Rosa serve para chamar a atenção ao cuidado preventivo, principalmente quando não há sintomas. Ele destaca que prevenção não é apenas uma campanha, uma cor ou uma mensagem nas redes sociais, mas uma atitude concreta.
Exames e sinais de alerta
O artigo ressalta que prevenção não se confunde com a realização de um único exame. O cuidado envolve conhecer o próprio corpo, procurar avaliação médica diante de alterações nas mamas e manter o acompanhamento recomendado por profissionais de saúde.
Mudanças como nódulos, retrações na pele, alterações no mamilo ou saída espontânea de secreção merecem investigação. Ao mesmo tempo, muitas alterações podem ter causas benignas, e somente a avaliação médica permite esclarecer cada situação.
A mamografia tem papel essencial no rastreamento, mas sua indicação deve considerar as recomendações vigentes e as características individuais. Mulheres com histórico familiar relevante ou outros fatores de risco podem precisar de acompanhamento diferenciado.
Acesso e responsabilidade compartilhada
Farina também aborda o acesso. Para ele, não basta dizer às mulheres que devem se cuidar se não houver condições para realizar consultas, exames e tratamentos em tempo oportuno.
“A prevenção precisa ser acompanhada de informação de qualidade, serviços acessíveis e uma rede de assistência preparada para acolher e orientar”, escreveu. Ele classifica a questão como responsabilidade compartilhada entre profissionais de saúde, instituições, empresas, famílias e poder público.
Na Unimed Cuiabá, segundo o presidente do Conselho de Administração, promover saúde significa ir além do atendimento à doença, valorizando orientação, acompanhamento e conscientização durante todo o ano, e não apenas em outubro.
Mudança de perspectiva
O artigo propõe uma mudança simples de perspectiva. Em vez de perguntar apenas quando foi a última vez que a mulher fez um exame, o médico sugere perguntar também por que continua adiando o próximo.
“A saúde não deveria depender de uma brecha na agenda. Ela precisa fazer parte das nossas prioridades”, concluiu Farina, acrescentando que o melhor momento para cuidar de si é enquanto ainda é possível agir antes de um sinal de alerta.










