As filhas da professora Luciene Naves Correia, 51 anos, vítima de feminicídio na segunda-feira (16), em Cuiabá, denunciaram que houve falha da Justiça no atendimento à mãe, mesmo após meses de ameaças e perseguições no contexto de violência doméstica.
Segundo elas, as falhas ocorreram tanto no atendimento após acionamento do botão do pânico, quanto no cumprimento da medida protetiva concedida à mãe.
Feminicídio em Cuiabá: falha sistêmica
Luciene foi morta nas primeiras horas da manhã dentro da casa onde morava, no bairro Osmar Cabral. O ex-marido dela, Paulo Neves Bispo, invadiu o imóvel armado e efetuou disparos contra a professora.
No entanto, as filhas da vítima afirmam que a Justiça não fez o suficiente para protegê-la. “A primeira pessoa que matou a minha mãe foi a Justiça”, declarou Etieny Naves Correia de Almeida, em entrevista ao jornal MT1.
A medida protetiva concedida à Luciene não foi cumprida, e o botão do pânico não foi acionado de forma eficaz. “O botão do pânico foi acionado duas vezes, eu estava junto com ela, meu marido estava no momento, o policial veio, ele já havia desligado o padrão de energia no dia e não fizeram nada”, afirmou Emmily Naves Gonçalves.
Emmily relatou que a mãe vinha recebendo ameaças constantes e que o ex-marido continuou se aproximando da vítima mesmo após pedidos e dispositivos de segurança. “Minha mãe sempre foi trabalhadora, minha mãe não vestia bem, minha mãe não comia bem, minha mãe não passeava, a vida dela era só trabalhar”, disse.
Luciene era professora e trabalhava há cerca de 30 anos. Ela foi assassinada no dia 16 de janeiro, e o caso é investigado pela Polícia Civil de Mato Grosso.
Para saber mais sobre a violência doméstica e a proteção às vítimas, leia nossa reportagem em protetendo-vitimas-de-violencia-domestica e tentativa-de-feminicidio-em-mt.










