O Tribunal do Júri de Aripuanã (a 976 km de Cuiabá) realiza nesta segunda-feira (13) o julgamento de Jacó Nascimento de Melo e Jânio Domingos de Brito. Eles são acusados de envolvimento na brutal chacina em garimpo de Aripuanã, que vitimou quatro pessoas em novembro de 2020.
Os réus enfrentam acusações de sequestro e homicídio qualificado. O crime teria sido motivado por disputas na exploração de garimpos na região.
Julgamento da chacina em garimpo de Aripuanã
Serão julgados os crimes de sequestro e homicídio, que ocorreram em Aripuanã. O crime de estupro, também imputado a Jacó Nascimento de Melo, foi desmembrado para a Comarca de Juína, onde de fato ocorreu. Os acusados estão detidos em outros estados e foram trazidos para o julgamento presencial.
Jacó Nascimento de Melo encontra-se preso em São Paulo e foi transportado pela Polícia Penal de Mato Grosso. Jânio Domingos de Brito está custodiado em Goiás e foi conduzido pela Polícia Militar daquele estado.
Além dos réus, a sessão prevê oitivas de quatro testemunhas do Ministério Público e quatro da defesa de Jânio. O Ministério Público é representado pelo promotor William Johnny Chae. A defesa de Jânio conta com os advogados Saulo Silva Espírito Santo e Dayane Cristina Gonçalves de Oliveira Vilela, enquanto Jacó é defendido pela defensora pública Ana Cristina Malta Diniz.
Crime e motivação por trás da chacina em garimpo de Aripuanã
A denúncia descreve uma emboscada orquestrada em 21 de novembro de 2020. Jacó e Jânio, supostamente a mando de Leandro Ribeiro Mendes, teriam contratado outros indivíduos para executar Elzilene Tavares Viana e Leôncio José Gomes. O filho dela, Luiz Felipe Viana Antônio da Silva, e um amigo da família, Jonas Santos, também foram mortos por estarem no lugar errado, na hora errada.
As vítimas foram abordadas em uma estrada rural de acesso ao garimpo. Em seguida, foram rendidas e levadas para uma área isolada, onde foram executadas a tiros.
A motivação da chacina em garimpo de Aripuanã estaria ligada a desentendimentos sobre terras e controle de garimpos. Leandro Ribeiro Mendes teria oferecido R$ 120 mil para que os assassinatos fossem cometidos, além de fornecer as armas. Josué do Nascimento Melo, um dos contratados, teria repassado valores menores a Jacó e Jânio. Durante a fuga, a caminhonete utilizada no crime foi incendiada para dificultar as investigações.
A vítima Laurilene, esposa de Jonas, sobreviveu pois estava grávida. Ela narrou detalhadamente as ameaças e o terror vivenciado. Seu testemunho é crucial para a elucidação dos fatos.
Um dos acusados, o suposto mandante Leandro Ribeiro Mendes, foi assassinado em setembro de 2023. Outros comparsas, Gedeon Ribeiro Menezes e Josué do Nascimento Melo, também foram mortos em 2022 e 2021, respectivamente.
Estupro: outro crime atribuído a Jacó Nascimento de Melo
Além dos homicídios, Jacó Nascimento de Melo é acusado de estuprar Laurilene Vieira Viana no mesmo dia das execuções. Mediante grave ameaça, ele a constrangeu a ter conjunção carnal em um hotel em Juína. A vítima narrou que foi mantida refém e coagida a aceitar a relação sexual. Mais detalhes sobre o caso podem ser encontrados em notícias sobre crimes em Mato Grosso, como esta matéria em nosso portal: Caçada a suspeitos de assassinato em Juína.
Após o estupro, Jacó comprou uma passagem de ônibus para Laurilene e lhe deu R$ 800,00, antes de liberá-la. Para intimidá-la, ele tirou fotos de seus documentos e confiscou seu celular. O crime de estupro será julgado separadamente em Juína.
Em conclusão, o Tribunal do Júri em Aripuanã julgará os envolvidos na cruel chacina em garimpo de Aripuanã, um capítulo sombrio da história da região.









