Decisão Judicial: Dados do COAF Vetados em Inquérito em MT

Documento com selo de justiça, indicando exclusão de dados do COAF em inquérito.
Decisão judicial veta uso de informações financeiras do COAF em investigação em MT.
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Operação Poço Sem Fundo e a proibição dos dados do COAF

A juíza Edna Ederli Coutinho proibiu a Polícia Civil de Mato Grosso de utilizar informações financeiras obtidas diretamente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) em um inquérito. A decisão, proferida nesta terça-feira (30), atende a um pedido da defesa da empresária Cristiane Almeida.

Inicialmente, a defesa solicitou a suspensão integral da investigação, argumentando que a requisição direta de informações ao COAF sem autorização judicial seria ilegal, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ). A defesa sustenta que a autoridade policial requisitou informações financeiras diretamente ao COAF, em afronta ao entendimento consolidado pelos tribunais superiores, de modo que haveria risco de contaminação probatória.

Contudo, a magistrada negou a suspensão total do inquérito, mas reconheceu a relevância do debate sobre a validade da requisição de relatórios financeiros do COAF sem prévia autorização judicial. A juíza determinou a exclusão dos dados do COAF em inquérito, seguindo a sugestão do Ministério Público. A magistrada assinala: “Em observância ao princípio da segurança jurídica e para evitar questionamentos futuros, mostra-se adequada a providência sugerida pelo Parquet, consistente no desentranhamento do Relatório de Inteligência Financeira (RIF) n. 113462.131.11966.14213 (ID n. 187958610), vedando-se o uso de informações dele derivadas”.

Desdobramentos da Operação Poço Sem Fundo

A Operação Poço Sem Fundo, deflagrada em maio deste ano, investiga um suposto desvio de recursos públicos. As apurações focam em contratos para perfuração de poços artesianos pela Companhia Mato-grossense de Mineração (Metamat). As auditorias identificaram falhas na execução e fiscalização das obras, que resultaram no pagamento por poços secos ou improdutivos.

As fraudes investigadas podem atingir a cifra de R$ 22 milhões. Entre os alvos da operação estão o ex-presidente da Metamat, Juliano Jorge Boraczynski; o ex-deputado estadual e então diretor-administrativo da autarquia, Wagner Ramos; e Francisco Holanildo Silva Lima, ex-diretor-técnico da Metamat. Empresários do setor também são alvos das investigações.

Por fim, a exclusão dos dados do COAF em inquérito representa um ponto crucial na investigação, visando garantir a legalidade das provas utilizadas.

Para mais informações sobre investigações em Mato Grosso, confira a matéria sobre [contratações suspeitas na Assembleia Legislativa de Mato Grosso](https://portal163.com.br/legislativo/contratacoes-suspeitas-na-assembleia-legislativa-de-mato-grosso-gera-investigacao-4289).

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