Deputados federais de Mato Grosso, José Medeiros e Nelson Barbudo (ambos do PL), protocolaram um requerimento que exige a presença do Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, para explicar a suspensão da inclusão da JBS Aves no Cadastro de Empregadores flagrados explorando mão de obra análoga à escravidão, popularmente conhecida como lista suja JBS.
Conforme José Medeiros, a decisão do ministro em assumir o processo, que já havia sido confirmado em duas instâncias administrativas com o direito à defesa garantido, é inédita desde a criação da ferramenta em 2003. Portanto, a medida levanta suspeitas de interferência política em uma fiscalização de cunho estritamente técnico.
Lista suja JBS: Críticas e Impactos
Essa suspensão foi alvo de críticas por parte de auditores do trabalho, do Ministério Público do Trabalho e de diversas entidades da sociedade civil. A medida fragiliza um dos instrumentos mais reconhecidos internacionalmente no combate ao trabalho escravo. Por exemplo, pode gerar sérios impactos sobre exportações, acordos comerciais e a própria imagem do agronegócio brasileiro.
O requerimento solicita que o Ministro Luiz Marinho detalhe os fundamentos jurídicos e administrativos da decisão. Adicionalmente, pede esclarecimentos sobre os impactos na política nacional de erradicação do trabalho escravo e as medidas para assegurar a independência técnica da inspeção do trabalho. Isso deve estar em consonância com os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, como a Convenção 81 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
“É imprescindível que esta Comissão exerça seu papel de controle e fiscalização, garantindo transparência, segurança jurídica e a proteção da imagem do setor agropecuário brasileiro”, reforçou Medeiros.
Entenda o Caso da Lista Suja JBS
O caso que culminou na polêmica envolve uma operação federal realizada no ano passado. Na ocasião, dez pessoas foram encontradas trabalhando em condições análogas à escravidão para uma empresa contratada pela JBS Aves. Essa empresa era responsável por carregar e descarregar cargas em uma unidade avícola da JBS localizada no Rio Grande do Sul.
Em comunicado, a JBS informou que suspendeu imediatamente a empreiteira, rescindiu o contrato e bloqueou a empresa assim que tomou conhecimento das alegações. “A companhia tem tolerância zero com violações de práticas trabalhistas e de direitos humanos”, destacou o comunicado. Para mais informações sobre questões trabalhistas e do agronegócio em Mato Grosso, acesse nosso portal: portal163.com.br.
Em conclusão, a atuação dos deputados visa garantir a integridade e a credibilidade dos mecanismos de combate ao trabalho escravo no país, especialmente diante de um caso envolvendo uma grande empresa como a JBS.









