O rebaixamento do rio Teles Pires, causado pela Usina Hidrelétrica Colíder, está provocando sérios transtornos à pesca e ao turismo na região. A comunidade local busca, com urgência, respostas e soluções para a crise.
Impactos do Rebaixamento do Rio Teles Pires
Durante uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), pescadores, ribeirinhos e empresários detalharam os prejuízos significativos. A falta de informações claras da Eletrobras e Copel aumenta a apreensão dos moradores diante da situação.
O Ministério Público Estadual (MP-MT), através do procurador Gerson Barbosa, criticou a Aneel pela visão limitada em relação aos impactos ambientais e sociais. Assim, foi solicitada uma caução financeira de R$ 200 milhões destinada à reparação dos danos.
Ademais, o MP-MT pediu à Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) a revisão do licenciamento ambiental. Esta solicitação se justifica pelos graves impactos observados, incluindo a mortandade de mais de 89 toneladas de peixes.
A promotora Grasiella Salina Ferrari enfatizou a importância do rio e dos peixes migratórios para o ecossistema. Ela alertou: “Essa barragem é classificada como de dano potencial associado alto”, demonstrando a gravidade do cenário do rebaixamento do rio Teles Pires.
Em contrapartida, o pescador José Malice, conhecido como Zezão, relatou perigos enfrentados com a instabilidade do nível do rio. “Eu vejo bem complicada essa situação”, desabafou, relembrando incidentes com sua embarcação.
Além disso, Zezão cobrou maior atenção e comunicação das empresas responsáveis. “Eles têm que dar um pouco mais de atenção e explicar para a população o que está acontecendo”, solicitou o pescador.
Prejuízos ao Setor Empresarial
Edilaine Farias, empresária da Pesca Teles Pires, destacou como a “Lei do Transporte Zero” já afetava o setor. Agora, o rebaixamento do rio Teles Pires aumenta ainda mais a incerteza para os negócios locais. “Se não voltarem o olhar para nós, eu vou ser uma que terei que fechar as portas”, confessou, emocionada.
O proprietário da Pousada Tucuna Fischer, Luiz Fernando, apontou o impacto direto no turismo. “Infelizmente, com o rebaixamento do rio – precisamos mais de atenção – a parte turística”, declarou.
Por conseguinte, a instabilidade no nível do rio dificulta o fechamento de pacotes turísticos. “A informação é importantíssima na gestão de crise”, frisou o empresário.
Ele também mencionou a demissão em massa em sua pousada, resultado direto da crise. “São famílias que estão sendo prejudicadas e empresas que tiveram que fechar”, lamentou.
Eletrobras e Copel se pronunciam
Representando as empresas, Bruno Eustáquio de Carvalho e Jader Fernandes explicaram as ações em andamento. “Mais de 70 profissionais” estão em campo para agilizar o diagnóstico e as intervenções necessárias.
Jader Fernandes garantiu que “todas essas ações constam em um plano de contingência ambiental”. As equipes especializadas trabalham em diferentes áreas para minimizar os impactos.
Deputado Wilson Santos cobra ações
O deputado Wilson Santos lamentou que o rebaixamento do rio Teles Pires agrave os problemas já enfrentados pelos pescadores. “Acredito que conseguiremos devolver ao pescador o seu direito legítimo de exercer a sua profissão”, afirmou.
Ele mencionou a aguardada votação no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a Lei “Transporte Zero”. “É plenamente possível, estimular a pesca esportiva, respeitando um direito constitucional do pescador profissional”, defendeu.
A audiência contou com a presença de diversas autoridades locais e estaduais, como vereadores e prefeitos da região. Para mais informações sobre os desdobramentos, acompanhe o Portal 163 em portal163.com.br.










