Em audiência pública na Câmara dos Deputados, representantes das companhias aéreas Gol e Azul negam fusão Azul e Gol. Segundo Camilo Coelho, gerente da Azul, a ideia chegou a ser estudada durante a pandemia, mas foi descartada com a recuperação do setor.
Camilo Coelho afirmou que a fusão não é um fato e que nada foi submetido formalmente ao Cade. O foco atual da Azul é sua recuperação judicial. Da mesma maneira, Alberto Fajerman, assessor da presidência da Gol, admitiu conversas sobre a união devido a dificuldades pós-pandemia, mas assegurou que a ideia foi abandonada.
Debate sobre preços e concorrência no setor aéreo
A Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara discutiu o assunto por sugestão dos deputados Daniel Almeida e Aureo Ribeiro. Suspeitas de combinação de preços entre Gol, Azul e Latam também foram levantadas. Gustavo Augusto Freitas de Lima, presidente do Cade, informou que há um processo em andamento para analisar essas denúncias, com indícios de combinação de preços.
O presidente do Cade destacou que, apesar das projeções positivas para o aumento de passageiros e investimento no setor, observa-se uma diminuição no número de voos, o que chama a atenção. Durante a pandemia, a Azul operou rotas em conjunto com a Latam e depois com a Gol. Camilo Coelho explicou que essa operação não reduziu a concorrência, pois não eram trechos previamente compartilhados e, portanto, não impactou negativamente o mercado.
Uma pesquisa apresentada por Juliana Oliveira Domingues, presidente do Instituto Brasileiro de Concorrência e Inovação, contudo, apontou um cenário distinto. Segundo a especialista, a operação conjunta com a Gol levou a Azul a reduzir rotas e aumentou o preço das passagens em 23%. O representante da Azul, por sua vez, explicou que a redução de rotas ocorreu para cortar custos devido à entrada da empresa em recuperação judicial, contextualizando as medidas tomadas pela companhia em virtude da crise financeira.
Insatisfação com o setor aéreo e reclamações de consumidores
O deputado Daniel Almeida ressaltou a insatisfação geral com os serviços aéreos no País e a necessidade de identificar as razões para as queixas. Ele acredita que “é um conjunto de fatores que leva a um ambiente de profunda instabilidade”. Vitor Hugo do Amaral Ferreira, diretor da Senacon, informou que a plataforma consumidor.gov.br recebeu mais de 240 mil reclamações fundamentadas contra empresas aéreas entre 2023 e agosto de 2025, evidenciando a preocupação dos consumidores.
A discussão sobre a fusão Azul e Gol e a combinação de preços reflete a preocupação com o futuro do mercado aéreo brasileiro. A audiência buscou esclarecer os fatos e buscar soluções para os problemas apontados.
É fundamental acompanhar os desdobramentos dessas investigações para garantir um mercado mais justo e competitivo para todos os passageiros. Para mais notícias sobre o setor de aviação, visite nosso portal.










