A operação PF garimpeiros Amazonas se tornou o centro das atenções na Comissão de Infraestrutura (CI). Assim, senadores buscam explicações do Ministério da Justiça.
CI exige esclarecimentos sobre operação PF garimpeiros Amazonas
A Comissão de Infraestrutura (CI), sob a presidência do senador Marcos Rogério (PL-RO), anunciou nesta terça-feira (16) que solicitará esclarecimentos ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. Portanto, a demanda se refere à recente operação da Polícia Federal que resultou na destruição de dragas usadas por garimpeiros no Rio Madeira. A ação, ocorrida na segunda-feira (15) entre os municípios amazonenses de Manicoré e Humaitá, foi o principal ponto de debate na reunião da CI.
Os senadores membros da comissão expressaram críticas contundentes à condução da operação. Ao final do encontro, a CI aprovou o envio de um “ofício verbal” para obter as informações. O senador Marcos Rogério explicou que a escolha pelo formato verbal, e não escrito, visa agilizar o processo, pois uma resposta urgente é necessária. Desta forma, o ofício verbal será encaminhado ao ministério ainda nesta terça-feira.
Contudo, o autor do pedido, senador Plínio Valério (PSDB-AM), solicitou que, além do ofício verbal, um documento escrito também fosse remetido. Ele classificou a ação da Polícia Federal como um episódio de grave impacto social e ambiental. “Foram cenas de apocalipse, que assustaram toda a comunidade e colocaram em risco a fauna, a flora e a subsistência de famílias que vivem há décadas às margens do Rio Madeira”, declarou, ponderando inclusive a discussão sobre possível abuso de autoridade.
Críticas à forma da operação PF garimpeiros Amazonas
O presidente da CI, senador Marcos Rogério, embora reconheça a importância do combate a atividades ilegais, criticou a metodologia empregada na operação. “Para enfrentar um crime, cometeram-se outros [crimes] graves contra o meio ambiente. A explosão de embarcações libera fumaça no ar, óleo no rio e compromete a fauna aquática. É fundamental que o Ministério da Justiça esclareça o que aconteceu”, argumentou.
Em consonância, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) defendeu que o país deve focar na raiz do problema, em vez de priorizar a espetacularização. “Essas pessoas estão na ilegalidade porque não têm acesso a licença ou tecnologia. Precisamos resolver a causa, e não apenas produzir narrativas com operações desse tipo”, criticou. Dessa forma, a senadora reforça a necessidade de soluções estruturais.
O senador Esperidião Amin (PP-SC) sugeriu que a comissão solicite não apenas esclarecimentos, mas também o boletim de ocorrência e o relatório completo da operação. Ele apontou que as imagens divulgadas parecem ter sido planejadas para gerar repercussão internacional. “Isso é espetacularização premeditada. Se for para impedir crime, justifica-se. Mas, se for para combater o extrativismo, precisamos discutir a coerência da política ambiental”, disse. Por certo, a discussão sobre a política ambiental ganha novos contornos.
A dimensão social do episódio foi igualmente destacada na reunião. O senador Omar Aziz (PSD-AM) apresentou uma nota de repúdio emitida pela Diocese de Humaitá e paróquias da região, que apontam a destruição das balsas como um prejuízo para garimpeiros artesanais e suas famílias. “A igreja fala em indignação, violência e injustiça social contra quem vive do trabalho simples. A sociedade amazonense ficou consternada com as imagens”, relatou o senador.
Um dos senadores que endossaram o pedido de informações foi Jaime Bagattoli (PL-RO). Ele ressaltou que a situação precisa ser discutida em conjunto com outras questões relativas às hidrovias amazônicas. “Estamos diante de um problema que afeta não só o meio ambiente, mas também a economia e a vida de comunidades tradicionais. Precisamos de respostas claras do governo federal”, concluiu. Assim, a demanda por transparência é clara.
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