Um servidor afastado do TJ-MT, Mauro Ferreira Filho, é apontado como uma suposta peça-chave em um esquema de desvio milionário que teria lesado os cofres públicos em R$ 21 milhões. A conta única do Tribunal de Justiça de Mato Grosso foi o alvo principal dessa operação, levantando questionamentos sobre a segurança financeira do Poder Judiciário. Mauro Ferreira Filho passou a atuar oficialmente em cargos vinculados à área financeira em 28 de janeiro de 2015.
Desvio Milionário TJ-MT: O Papel de Mauro Ferreira Filho
A investigação conduzida pela Polícia Civil aponta que, entre 2018 e 2022, o grupo criminoso, do qual Mauro seria integrante, teria desviado a expressiva quantia. Felizmente, o TJ-MT implementou uma nova metodologia de transferência de valores em 2023, o que impediu novas fraudes com o mesmo método. O delegado Pablo Carneiro preside o inquérito sobre o caso.
Mauro Ferreira Filho obteve estabilidade no TJ-MT em abril de 2003, desempenhando diversas funções ao longo de sua carreira. Um documento oficial revelou que, em dezembro de 2014, o então presidente do TJ-MT, desembargador Orlando Perri, solicitou a regularização da lotação de Mauro na Coordenadoria Financeira. O desembargador justificou a ação como um atendimento a um ofício da chefia da área financeira.
A lotação de Mauro Ferreira Filho na área financeira ocorreu em 28 de janeiro de 2015, próximo ao fim do mandato do desembargador Perri. Desde então, ele permaneceu em cargos estratégicos, incluindo chefia de divisão e gerência de execução financeira, até seu afastamento recente. Sua atuação foi crucial nas operações ligadas à conta única do tribunal.
Um trecho do relatório final da Polícia Civil detalha o protagonismo de Mauro no esquema, afirmando: “Todos os documentos fraudulentos elaborados no sistema CIA foram enviados ao Banco do Brasil exclusivamente por este servidor, evidenciando seu protagonismo na execução do esquema”. Essa posição de confiança foi fundamental para a concretização das fraudes financeiras.
O servidor foi afastado de suas funções por 60 dias, com restrições de acesso a sistemas e informações institucionais. Adicionalmente, uma sindicância foi instaurada para apurar irregularidades em pagamentos de alvarás judiciais a partir de maio de 2011. Uma Comissão Especial de Auditoria foi criada para revisar todas as movimentações financeiras suspeitas.
A Operação Sepulcro Caiado cumpriu mais de 160 ordens judiciais, incluindo mandados de prisão, busca e apreensão, e bloqueios de bens. O objetivo principal foi desarticular o grupo criminoso que utilizava depósitos judiciais falsificados para simular a quitação de dívidas. A investigação indica que Mauro Ferreira Filho era o responsável por transferir os valores da conta única do TJ-MT para contas ligadas aos processos.
A defesa de Mauro Ferreira Filho, representada pelo advogado Geraldo Bahia, informou que ainda está analisando os autos do processo, que possui mais de 7 mil páginas, e optou por não se pronunciar. A polícia continua a investigação para identificar outros processos que possam ter sido fraudados, em um caso que abala a credibilidade do judiciário mato-grossense. Para mais informações sobre notícias do TJ-MT, consulte nossos artigos.









