Recuperar a vegetação nativa ao redor das lavouras pode injetar até R$ 4,2 bilhões por ano no Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário paulista. A constatação é de uma pesquisa inédita da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), realizada em parceria com a Universidade de São Paulo (USP).
Polinizadores em Alta
O estudo, que já foi premiado nacionalmente, indica que a simples presença de áreas verdes próximas às plantações aumenta a circulação de polinizadores, como as abelhas. Esse aumento, por sua vez, eleva a produtividade e a qualidade de grãos e frutas.
Segundo os pesquisadores, lavouras de soja, laranja e café seriam as mais beneficiadas. No entanto, cultivos como manga, goiaba, abacate, tomate, feijão e amendoim também teriam ganhos significativos.
Mais Frutos, Menos Custos
A ideia central do levantamento é que as matas nativas funcionam como abrigo e fonte de alimento para os polinizadores. Ao encontrarem essas áreas preservadas ou restauradas, eles ampliam sua ação sobre as plantações ao redor.
Isso resulta em frutos maiores, grãos mais uniformes e colheitas mais abundantes, sem a necessidade de novos insumos. A pesquisa reforça a importância da conservação ambiental para o sucesso do agronegócio.
Potencial de Melhoria
O estudo mapeou regiões com potencial para aproveitar melhor o serviço ecológico da polinização, utilizando imagens e dados sobre o uso da terra. Mesmo áreas de agricultura extensiva, como as plantações de soja no Médio Paranapanema, poderiam melhorar seus índices produtivos com ações simples.
Essas ações incluem restaurar margens de rios ou recompor bordas de mata. O portal noticiou recentemente a importância da recuperação de matas ciliares para a agricultura sustentável.
Reconhecimento e Políticas Públicas
As conclusões do estudo já começaram a influenciar políticas públicas no estado. As recomendações técnicas do projeto foram incorporadas ao Plano Estadual de Adaptação e Resiliência Climática.
A iniciativa ainda conquistou o primeiro lugar no Prêmio MapBiomas 2025, uma das mais importantes premiações ambientais do país. Os pesquisadores Rafael Chaves, da Semil, e Eduardo Moreira, da USP, foram os responsáveis pela conquista.
“O estudo reforça um caminho cada vez mais evidente: conservar e produzir não são metas opostas. Quando o meio ambiente é tratado como parte da engrenagem agrícola, o campo colhe mais, gasta menos e ainda garante renda com sustentabilidade.”
A pesquisa demonstra que o investimento na natureza é um caminho rentável e sustentável para o agronegócio paulista.










