Brasil busca saídas para tarifas dos EUA que afetam agronegócio

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Faltando apenas três dias para a entrada em vigor das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, o governo federal intensifica a busca por alternativas para proteger o agronegócio. O setor, que exporta cerca de US$ 12 bilhões anuais para os EUA, vê essa medida como um grande desafio.

Força-tarefa busca mitigar prejuízos

O secretário de Relações Exteriores do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luís Rua, informou que uma força-tarefa está em andamento para amenizar os impactos. “Mapeamos 90 ações com apoio dos adidos agrícolas. São medidas emergenciais, não vão resolver tudo, mas podem amortecer parte dos impactos”, afirmou Rua durante reunião da Fiesp.

Novos mercados e expansão

Uma das primeiras estratégicas é focar no México, que realizou auditorias para habilitar mais frigoríficos brasileiros, com potencial de aumentar em 45% o número de plantas aptas a exportar carne bovina. Essa abertura visa redirecionar parte do volume que pode perder espaço no mercado americano.

Além disso, o secretário viajará ao Japão e à Coreia do Sul para expandir o acesso da carne bovina e negociar uma cota específica para o suco de laranja na Coreia. Uma missão para a América Central e Caribe também está prevista para as próximas semanas.

Acordo Mercosul-UE como saída estrutural

O governo também busca acelerar o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Este pacto é visto como uma “saída estrutural” para diversificar destinos e diminuir a dependência dos Estados Unidos. O acordo abriria cotas significativas para carne bovina, frango e suína, além de beneficiar os setores de açúcar e café.

Setores mais afetados e desafios logísticos

Cadeias como carne bovina, manga, tilápia, açúcar, café e suco de laranja devem sentir os efeitos das tarifas de forma mais intensa. O secretário Luís Rua alertou para a dificuldade em redirecionar a produção:

“Cerca de um terço do suco que exportamos vai para os EUA. Não é simples desviar esse fluxo de um dia para o outro: há contratos, exigências logísticas e cadeias de refrigeração a cumprir.”

Apenas na carne bovina, o impacto pode chegar a 300 a 400 mil toneladas que ficarão sem destino imediato.

Diálogo setorial e prioridades americanas

Rua destacou a importância do envolvimento do setor produtivo, especialmente no diálogo direto com empresas norte-americanas. Ele ressaltou que o Brasil não é prioridade nas negociações atuais dos EUA.

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) já dialoga com a Confederação Nacional do Café dos EUA para sensibilizar autoridades e o setor privado americano sobre os efeitos das tarifas.

Enquanto o prazo se aproxima, o governo intensifica contatos diplomáticos e missões comerciais para evitar perdas irreversíveis ao agronegócio brasileiro, especialmente nos setores de pecuária e sucos.

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