ANGELA JORDÃO
O policial militar da Rotam, Heron Teixeira Pena Vieira, denunciado como principal coordenador do assassinato do ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT), Renato Nery – tentou vender seu silêncio ao também PM Jackson Pereira Barbosa, denunciado como intermediador do crime. A informação consta na denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).
Jackson foi o intermediador entre o casal Julinere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi – denunciados como os autores intelectuais do crime – e Heron, que foi o responsável pela contratação do atirar Alex Roberto de Queiroz Silva.
O documento do MPMT descreve que antes das operações policiais que resultaram na prisão dos policiais envolvidos no crime, “a defesa de Heron, desde 24 de março de 2025, manteve contato com Jackson nos dias que antecederam as buscas domiciliares para tentar resolvera ‘questão financeira’ de Heron, a fim de garantir seu silêncio”.
A denúncia também aponta que as investigações revelaram que Jackson realizou contatos via o aplicativo de mensagens WhatsApp e ligações de vídeo com advogados de defesa de Heron entre os dias 04 e 10 de abril de 2025, “demonstrando monitoramento ativo das investigações em curso. Estes contatos ocorreram antes mesmo das buscas e apreensões serem deflagradas contra Jackson, evidenciando articulação prévia para obstruir as investigações”.
Jackson Pereira Barbosa e Ícaro Nathan Santos Ferreira (também policial militar da ROTAM) teriam sido os responsáveis por arquitetar o confronto policial falsa usado para inserir a arma Glock, modelo G17, calibre 9mm, usada por Alex Roberto de Queiroz Silva para atirar em Renato Nery.
De acordo com o MPMT, Jackson e Ícaro “concorreram ativamente para o crime de abuso de autoridade praticado por policiais militares em serviço, com o claro objetivo de manipular a investigação criminal, utilizaram-se do aparato estatal e da condição de agentes da segurança pública para criar uma narrativa falsa que desviasse o curso das investigações e responsabilizasse criminalmente terceiros inocentes pelos feitos da organização”, cita a denúncia.
Organização criminosa
O Ministério Público classificou a homicídio do ex-presidente da OAB-MT e a atuação dos policiais como produto da atuação de uma estrutura criminosa organizada, com junção de múltiplos agentes, divisão de tarefas e finalidade específica de obter vantagem mediante a prática de infrações penais graves.
No total, três policiais militares foram denunciados por envolvimento no assassinato do ex-presidente da OAB-MT. Ícaro Nathan Santos Ferreira e Jackson Pereira Barbosa (PM) como intermediadores e Heron Teixeira Pena Vieira como coordenador – responsável pela contratação do atirador Alex Roberto de Queiroz Silva. Os três também foram denunciados em outro processo por fraude processual envolvendo a Glok e pelo homicídio que resultou no confronto forjado.
Motivação e crime
Os mandantes da morte de Renato Nery foi o casal Julinere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi, que encomendaram o crime pelo valor de R$ 200 mil. O motivo foi uma disputa de terras no município de Novo São Joaquim (439 km de Cuiabá) entre o casal e o ex-presidente da OAB-MT.
Renato Nery sofreu atentado no dia 05 de julho de 2024, quando chegava ao seu escritório na Avenida Fernando Corrêa, em Cuiabá. Ele foi alvejado com sete tiros, sendo que um deles acertou a cabeça. Encaminhado ao hospital, passou por cirurgia, mas não resistiu, falecendo na madrugado do dia 06 de julho.











