A Justiça de Mato Grosso negou o pedido de reconhecimento da inimputabilidade feito pela defesa de Nataly Helen Martins Pereira – ré confessa pelo assassinato da adolescente Emelly Azevedo Sena, de 16 anos. O crime aconteceu em março deste ano, em Cuiabá.
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No pedido, feito à 14ª Vara Criminal da Capita, a defesa alegou que Nataly sofre de distúrbios mentais relevantes, “cuja manifestação antecede e se prolonga até o presente momento, com forte impacto sobre sua capacidade de autodeterminação e entendimento da ilicitude dos atos praticados”.
A defesa também argumentou que a ré tem histórico de estupro intrafamiliar na infância, perpetrado por parente próximo, gerando trauma psicológico profundo; depressão crônica grave, com episódios de ideação suicida e tentativas de autoextermínio; distúrbios afetivos severos, acompanhados de delírios persecutórios e fantasia de maternidade compulsiva; surtos psicóticos identificados durante a custódia, atestados por servidores da unidade prisional, que devem ser ouvidos em juízo ou prestadas as suas informações via comunicação oficial nos presentes autos do processo; e ausência de discernimento lógico, emocional ou racional no momento dos fatos, revelando desorganização psíquica total.
Os advogados também pediram a realização de perícia oficial para comprovar a insanidade. Os pedidos foram negados pela Justiça.
O promotor Justiça Rinaldo Ribeiro de Almeida Segundo, que assina a denúncia contra Nataly, afirmou que que não crê em “surto” por parte da acusada no momento do homicídio. Para o promotor, Nataly tinha plena consciência do crime que estava cometendo e utilizou das vulnerabilidades financeiras e sociais da vítima para atraí-la e matá-la.
“Ela [Nataly] escolheu a vítima por essas vulnerabilidades, na opinião do Ministério Público, acreditando que o seu crime ficaria impune, tanto é que ela enterrou a adolescente numa cova rasa e também pegou o celular da vítima e conversou com o marido e a mãe da vítima. Ou seja, [para Nataly] se você é pobre, se você é uma garota jovem, pobre, de 16 anos, que mora num bairro que não seja da elite, não tem problema em ter esse fim, porque nada acontecerá”, disparou o promotor.
O caso
Emelly Azevedo Sena desapareceu no dia 11 de março, por volta das 12h, após sair de casa, no bairro Eldorado, em Várzea Grande e avisar a família que estava indo para Cuiabá buscar doações de roupas de bebê. O celular parou de funcionar e a família saiu em procura dela, realizando um boletim de ocorrência às 22h.
Na quarta-feira à noite, Nataly e o marido deram entrada no hospital com uma bebê, alegando que o parto teria sido realizado na residência. A equipe médica desconfiou do caso, pois a mulher não tinha indícios de puerpério. Exames apontaram que a mulher não esteve grávida recentemente e que a criança seria de outra mãe.
No dia 13 pela manhã, o corpo de Emelly foi encontrado em uma cova rasa, com pernas e braços amarrados, asfixiada com um fio no pescoço e um corte de faca na barriga.
Na investigação, a Polícia Civil descobriu que a bebê que estava com Nataly era a filha da adolescente. Quatro suspeitos foram conduzidos, entre eles o marido de Nataly, mas os três foram liberados, tendo permanecido presa apenas a mulher.
A investigação aponta que Emelly ainda estava viva quando teve o bebê arrancado do ventre. Os cortes foram precisos e certeiro no útero, não tendo atingido outros órgãos. Nataly confessou em depoimento que, antes de matar Emelly, pediu desculpas e disse que cuidaria da bebê. CASO EMELLY SENA Justiça não reconhece inimputabilidade em suspeita de matar grávida em Cuiabá Justiça não reconhece insanidade em suspeita de matar grávida em Cuiabá Defesa alegou que Nataly sofre de distúrbios mentais relevantes, mas pedido foi novamente negado










