AVC: reconhecer sintomas e buscar ajuda rápido reduz sequelas e evita mortes

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Reconhecer rapidamente os sinais de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e levar o paciente ao hospital sem demora são medidas decisivas para reduzir o risco de sequelas e de morte. O alerta é do neurocirurgião e neurointervencionista Wilson Guimarães Novais, em entrevista ao Unicast, podcast da Unimed Cuiabá voltado à informação, à prevenção e aos cuidados com a saúde.

De acordo com o especialista, o AVC se manifesta por alterações súbitas nas funções cerebrais. Os principais sinais são perda de força ou de sensibilidade de um lado do corpo, boca torta, dificuldade para falar e mudanças no nível de consciência, como sonolência e desorientação.

“São sinais simples que precisam ser identificados rapidamente, sem perder tempo”, afirmou Novais.

Dois tipos de AVC

O AVC isquêmico representa cerca de 80% dos casos e ocorre quando uma artéria que leva sangue ao cérebro é obstruída. O hemorrágico é provocado por sangramento no cérebro, geralmente por ruptura de vasos sanguíneos, incluindo aneurismas, ou por outros problemas vasculares.

Os dois tipos exigem atendimento de urgência. Diante de sinais suspeitos, a orientação é acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo 192, ou o Corpo de Bombeiros, pelo 193, conforme a disponibilidade e a orientação do serviço de emergência.

Novais ressaltou que encaminhar o paciente diretamente a uma unidade com estrutura para diagnóstico e tratamento evita atrasos em locais sem os recursos necessários. Em Cuiabá, segundo ele, o Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) tem um fluxo que permite levar o paciente diretamente à tomografia.

Tempo é cérebro

No AVC isquêmico, a falta de circulação sanguínea provoca a morte gradual de células cerebrais e eleva o risco de danos permanentes. “Tempo é cérebro”, resumiu o médico, ao explicar que a demora pode causar sequelas irreversíveis ou morte.

Um dos tratamentos é a trombólise venosa, que usa medicamentos para dissolver o coágulo responsável pela obstrução. Em pacientes elegíveis, o procedimento deve ser realizado, tradicionalmente, em até quatro horas e meia após o início dos sintomas.

Outra opção é a trombectomia mecânica, procedimento endovascular feito com cateteres para retirar o coágulo da artéria cerebral. Em casos selecionados, após avaliação por exames de imagem, a intervenção pode ser indicada em uma janela de até 24 horas.

Fatores de risco

O neurocirurgião chamou a atenção para fatores que podem ser controlados ou reduzidos com acompanhamento médico e mudanças no estilo de vida. Entre eles estão hipertensão arterial, colesterol elevado, diabetes, tabagismo, sedentarismo, obesidade e consumo excessivo de álcool.

A pressão alta merece atenção especial por ser um dos principais fatores de risco modificáveis para o AVC, tanto isquêmico quanto hemorrágico. Controle regular da pressão arterial, alimentação equilibrada, prática de atividade física e abandono do cigarro ajudam a reduzir as chances da doença.

Ele também alertou que dor de cabeça súbita e extremamente intensa, diferente das dores habituais, pode indicar um AVC hemorrágico relacionado à ruptura de aneurisma. O quadro pode vir acompanhado de náuseas, vômitos e perda de consciência e exige atendimento de emergência.

Prevenção

Para Novais, a prevenção começa nos cuidados diários e no acompanhamento dos fatores de risco. Identificar os sintomas, buscar atendimento imediatamente e controlar as condições que favorecem a doença são medidas fundamentais para reduzir o impacto do AVC na vida dos pacientes e de suas famílias.

O especialista tem mais de 25 anos de experiência, coordena o serviço e o programa de treinamento em neurorradiologia intervencionista no Hospital Santa Rosa, em Cuiabá, idealizou e fundou a rede SOS AVC na capital e atua na coordenação do serviço no HMC.

O episódio completo do Unicast está disponível no YouTube.

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