Na quarta-feira (28/10), durante a 46ª reunião do Conselho, o Fundo Verde do Clima (Green Climate Fund – GCF) aprovou até US$ 300 milhões em aportes de capital com condições concessionais para dois projetos voltados exclusivamente ao Brasil. Os recursos serão destinados a fundos de investimento que, em conjunto, poderão mobilizar até US$ 1,8 bilhão para iniciativas de desenvolvimento sustentável no país.
Um dos projetos é o Catalytic Transition Fund Brazil (CTF Brazil), apresentado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e gerido pela Brookfield. O outro é o eB Capital Energy Transition and Climate Solutions Fund II, da Flying Rivers/eB Capital. A aprovação do CTF Brazil é a primeira de um projeto apresentado ao GCF por uma entidade brasileira acreditada: o BNDES.
O Ministério da Fazenda, por meio da Secretaria de Assuntos Internacionais (SAIN), é a Autoridade Nacional Designada (AND) do Brasil junto ao GCF. O ministério coordena a interlocução do país com o Fundo e atua para que os recursos sejam direcionados às prioridades nacionais de financiamento climático.
As duas iniciativas fazem parte da carteira prioritária do Programa País 2025 do Brasil junto ao GCF e estão alinhadas à Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e para a Transformação Ecológica (BIP). Liderada pelo Ministério da Fazenda em parceria com outros ministérios e com apoio operacional do BNDES, a Plataforma conecta prioridades climáticas definidas pelo país a fontes públicas, privadas e internacionais de financiamento.
“Essas aprovações mostram como o Brasil pode utilizar o financiamento climático internacional de forma estratégica para mobilizar investimentos em escala. Ao combinar recursos concessionais com capital público e privado, criamos condições para viabilizar projetos que ainda enfrentam barreiras de financiamento e ampliar os investimentos em setores fundamentais para a transformação ecológica da economia brasileira”, afirma Mathias Alencastro, secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda.
Dois fundos para ampliar os investimentos na transformação ecológica
Gerido pela Brookfield, o CTF Brazil será um fundo de até US$ 1,3 bilhão, voltado a grandes investimentos em descarbonização e tecnologias de baixo carbono no Brasil. São possibilidades de investimento parques de geração de energia renovável, instalações de armazenamento de eletricidade em baterias, plantas industriais para produzir combustíveis sustentáveis a partir de resíduos e unidades de produção de hidrogênio de baixo carbono. São iniciativas que exigem recursos elevados e de longo prazo, e cujo perfil de risco e retorno ainda dificulta a atração de capital privado em condições comerciais.
O GCF aportará até US$ 250 milhões em capital de risco (equity), em condições concessionais. O retorno líquido será limitado a uma taxa interna de retorno (TIR) de 6% em dólares, calculada por investimento. Os ganhos acima desse limite serão redistribuídos aos demais investidores, ajudando a tornar os projetos mais atrativos ao capital privado. Além dos recursos do GCF, o fundo terá aporte de até R$ 4 bilhões da Brookfield e do BNDES, por meio da BNDESPar. A estimativa é evitar ou sequestrar aproximadamente 30 milhões de toneladas de CO₂ equivalente ao longo dos 14 anos do programa.
O eB Capital Energy Transition and Climate Solutions Fund II terá US$ 400 milhões, com possibilidade de chegar a US$ 500 milhões. O GCF será investidor âncora, com aporte de US$ 50 milhões em capital (equity). O BNDESPar também atuará como investidor âncora, com R$ 500 milhões. O fundo investirá em empresas climáticas em fase de crescimento que ainda enfrentam dificuldades para acessar o financiamento institucional tradicional.
Entre os empreendimentos que poderão receber recursos estão plantas de produção de biometano a partir de resíduos orgânicos, fábricas de insumos biológicos para a agricultura, instalações de reciclagem de plásticos e unidades industriais que usam novas tecnologias para reduzir as emissões da fabricação de cimento. A estrutura prevê também um mecanismo de proteção contra desvalorizações cambiais acentuadas, para reduzir os riscos de investidores privados internacionais e facilitar a atração de capital estrangeiro para projetos climáticos no Brasil. A estimativa é evitar cerca de 37,5 milhões de toneladas de CO₂ equivalente durante a vida útil dos investimentos.
As aprovações reforçam a estratégia brasileira de combinar recursos públicos, concessionais e privados para ampliar o financiamento da transformação ecológica e fortalecer o acesso do país aos fundos climáticos multilaterais.
Fonte: Ministério da Fazenda. Licença da fonte: Creative Commons Atribuição-SemDerivações 3.0 Não Adaptada.
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