Presidente da Câmara de Várzea Grande, o vereador Wanderley Cerqueira (MDB) está sob apuração do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) por suspeita de ter empregado, de forma irregular, um ônibus da União Transportes, que serve ao transporte público, em atividade social de sua equipe. Segundo a investigação, o coletivo teria sido usado no Bazar Itinerante, ação que oferece roupas gratuitamente à população.
Relatório no inquérito registra que a empresa declarou não ter ciência de autorização para destinar ônibus de sua frota a outras finalidades. O episódio integra as apurações que culminaram na deflagração da Operação Cathedra Venalis, nesta terça-feira (20).
De acordo com o documento, os investigadores receberam a informação de suposto uso irregular de veículo destinado ao transporte público durante o evento. Durante as investigações, foi verificado que não havia menção ao termo “Bazar Itinerante” no Diário Oficial Eletrônico da Prefeitura de Várzea Grande, nem no Portal da Transparência da Câmara Municipal. Também foi constatado que, em 16 de julho, o ônibus permanecia adesivado com a identificação do evento social.
Diante disso, o Gaeco solicitou informações diretamente à União Transportes. Em ofício de resposta, a empresa afirmou não ter conhecimento de cessão de veículos de sua frota, no âmbito do Município de Várzea Grande, para finalidade diversa daquela a que se destinam regularmente.
O Bazar Itinerante é organizado pela equipe de Wanderley e teve a primeira edição no bairro Jardim Primavera, em março deste ano. A iniciativa entrega, sem custo, roupas em bom estado arrecadadas por doações.
Operação Cathedra Venalis
Na manhã desta terça-feira (20), o Gaeco deflagrou a Operação Cathedra Venalis. Foram executados 30 mandados de busca e apreensão, de natureza domiciliar, pessoal e veicular, em endereços ligados aos investigados nos municípios de Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães.
Entre os investigados estão 13 vereadores de Várzea Grande e dois de Cuiabá.

Também constaram entre os alvos a diretora financeira da Câmara e um secretário legislativo. O foco recai sobre supostas irregularidades relacionadas à Mesa Diretora da Câmara Municipal de Várzea Grande. As medidas judiciais buscam agregar novos elementos de prova e dar lastro ao avanço das diligências do Gaeco, que apura a possível atuação de organização criminosa em crimes contra a Administração Pública.
As ações foram motivadas por indícios de que um grupo, de forma estruturada, teria se voltado à obtenção de vantagens indevidas, à cooptação de agentes públicos, a práticas de corrupção e a outras irregularidades com potencial de afetar atividades da administração pública municipal.








