Sinop foi às ruas na manhã desta quarta-feira (14) para transformar memória em prevenção. A caminhada e a panfletagem chamaram a atenção para o Dia Nacional de Luto e de Memória às Mulheres Vítimas de Feminicídio, em 17 de outubro, próximo sábado. A ação reuniu poder público, Justiça e sociedade civil para dizer que a resposta precisa vir antes da tragédia.
A mobilização foi organizada pela Coordenadoria de Políticas Públicas para Mulheres (CPPM), da Prefeitura de Sinop, em parceria com a Rede de Enfrentamento e Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. O foco foi sensibilizar sobre sinais de abuso, fortalecer a rede de apoio e incentivar denúncias. A mensagem reforçou que cada caso de feminicídio deixa famílias e filhos marcados por perdas que poderiam ser evitadas.
O trajeto começou no cruzamento da avenida das Sibipirunas com a avenida Governador Júlio Campos e seguiu até a Praça da Bíblia, onde houve homenagem às vítimas. Materiais informativos foram distribuídos com orientações práticas e canais de ajuda.
A professora Branca, coordenadora de Políticas Públicas para Mulheres da Prefeitura, classificou a mobilização como um chamado direto à sociedade pelo direito à vida e à participação plena. “Todo dia é dia de chamamento. Todo dia é dia de falarmos: chega de feminicídio! […] Nós precisamos da família, precisamos de toda a sociedade. Nós não somos donos de ninguém. O que nós temos que ter é estrutura para que possamos viver, criar nossos filhos, trabalhar e fazer parte da sociedade, que é um direito de cada mulher”, ressaltou.
Violência tem sinais que precisam ser reconhecidos
Um dos alertas centrais foi sobre o ciclo que costuma anteceder o feminicídio. Ciúme possessivo, controle excessivo, ameaças, intimidação e agressões podem indicar uma situação de risco que exige atenção e intervenção.
A juíza Rosângela Zacarkim dos Santos, da 2ª Vara Criminal da Comarca de Sinop, explicou que identificar o ciclo é decisivo para evitar consequências irreversíveis e que a participação das instituições e da população é indispensável para ampliar a conscientização e proteger vidas. “O feminicídio tem um caminho. É o ciclo da violência, é o caminho da violência. Então, começa com pequenas ações, depois a agressão vai tendo um volume maior até que se consuma o feminicídio, que é a morte da mulher. Nós não queremos isso. Estamos aqui todos reunidos, poderes constituídos, as instituições, para levar conscientização à população de Sinop”, afirmou.
Ela também destacou os impactos sobre as famílias, sobretudo os filhos que perdem suas mães, e a urgência de prevenir para evitar danos profundos e permanentes.
Rede de proteção reforça que nenhuma mulher está sozinha
A caminhada reuniu representantes de órgãos que atuam no enfrentamento à violência doméstica e familiar. Segundo Eliane dos Santos, advogada e presidente da Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, mais de 30 instituições públicas, privadas e do terceiro setor trabalham de forma articulada para prevenir e ampliar a assistência às vítimas.
As equipes levaram informações à população e mostraram caminhos para buscar ajuda. A rede atua do recebimento de denúncias ao encaminhamento das mulheres aos serviços de proteção e acompanhamento, de acordo com cada caso. “Precisamos caminhar, precisamos falar, precisamos bater às portas dessas mulheres para que elas possam saber que não estão sozinhas, que podem denunciar e que terão apoio”, destacou Eliane.
A informação foi defendida como ferramenta para romper o silêncio e superar a ideia de que violência doméstica é assunto privado. Familiares, amigos, vizinhos e a comunidade podem reconhecer situações de risco, acolher sem julgamento e acionar os canais adequados.
O trabalho contínuo também passa pela educação. Na rede municipal, a conscientização integra ações de prevenção desde a infância. Télvia Marques, professora da rede municipal de ensino, explicou que o tema está presente da educação infantil ao fundamental e envolve estudantes e famílias. “A Secretaria vem trabalhando arduamente nessa campanha de feminicídio zero no nosso município. E começa lá da base, desde a creche até o ensino fundamental, aonde também está inserido no nosso currículo este trabalho sobre a violência contra a mulher, contra a criança e adolescentes”, pontuou.
A integração entre educação, assistência social, Justiça e demais instituições amplia a identificação e a resposta à violência. O 17 de outubro é um marco de reflexão sobre a responsabilidade coletiva na defesa da vida das mulheres.
A Prefeitura de Sinop, por meio da CPPM, reforçou a necessidade de visibilidade permanente ao tema. O combate ao feminicídio demanda atenção contínua, políticas públicas, informação e uma rede preparada para acolher. Preservar a memória das vítimas é também agir para que outras mulheres não tenham suas histórias interrompidas.
As imagens da ação estão disponíveis em Campanha #TodasPorElas – Pelo fim do feminicídio, no Flickr.










