O Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato Grosso (CIPEM) celebra a aprovação da segunda etapa do Projeto Espécies Arbóreas Nativas Madeireiras de Mato Grosso, deliberada na Reunião Extraordinária do Conselho do Fundo Desenvolve Florestas da SEDEC, nesta terça-feira (15/09).
Com a nova aprovação, o projeto, que já é o maior investimento em botânica florestal aplicada do Estado, alcança R$ 1,36 milhão em investimentos. São R$ 508.069,76 desta nova etapa, somados aos R$ 860.224,50 da primeira fase.
Parceria científica e origem do projeto
Idealizado pelo CIPEM e executado em parceria científica com a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e a Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), o projeto nasceu em 2023 com um objetivo claro: trocar suposição por ciência na identificação da madeira de manejo de Mato Grosso.
Os resultados da primeira etapa já comprovam o acerto da estratégia: a meta era identificar 32 espécies. Foram identificadas 50. Um desempenho 56% acima do previsto, com coleta de campo, atualização de herbários e revisão botânica rigorosa.
Segunda etapa e guia inédito
Agora, a segunda etapa vai além. Com novas campanhas de campo em áreas de manejo licenciadas, o projeto vai ampliar o Guia Inédito de Identificação das Espécies Arbóreas Madeireiras de Mato Grosso para cerca de 90 espécies de interesse comercial. Será o primeiro guia do país com esse nível de detalhamento, com fotos, características anatômicas e chaves de identificação botânica.
Na prática, o CIPEM destaca que isso significa segurança jurídica: o produtor, o fiscal, o comprador internacional e o Ministério Público falarão a mesma língua botânica. Significa rastreabilidade e conformidade com as exigências mais duras do mercado internacional, como a EUDR europeia.
Significa também acervo técnico-científico. Segundo o CIPEM, o Brasil conhece mais a flora da Amazônia pela literatura estrangeira do que pelos próprios herbários. Nossos herbários estão desatualizados, nossas coleções estão incompletas e a incidência real das espécies no território mato-grossense é, até hoje, estimada — não mapeada. O projeto muda o eixo da ciência ao criar, pela primeira vez, o acervo técnico-científico da madeira comercial de Mato Grosso feito em Mato Grosso, para o mundo.
Declaração
“O setor de base florestal de Mato Grosso decidiu investir onde mais importa: em ciência. Não estamos apenas manejando floresta, estamos produzindo conhecimento sobre ela. Cada espécie corretamente identificada é mais um passaporte para a madeira de MT entrar nos mercados mais exigentes do mundo. Isso é transformar Reserva Legal Intacta em ativo de conhecimento e de valor”, destaca o presidente do Cipem Gleisson Omar Tagliari.
Para o CIPEM, a aprovação demonstra a visão estratégica do Governo de Mato Grosso e da SEDEC ao entender que o futuro da economia florestal não está na extração, mas no conhecimento profundo da floresta. O CIPEM agradece ao Governo de Mato Grosso, à SEDEC e ao Conselho do Fundo Desenvolve Florestas pela confiança e parceria na construção de uma cadeia produtiva cada vez mais baseada em três pilares inegociáveis: conhecimento, legalidade e sustentabilidade.
Ficha técnica do projeto
- Nome: Projeto Espécies Arbóreas Nativas Madeireiras de Mato Grosso
- Realização: CIPEM
- Parceria Científica: UFRA e UNEMAT
- Investimento Total: R$ 1.368.294,26 (Fase I: R$ 860.224,50 + Fase II: R$ 508.069,76)
- Resultado Fase I: 50 espécies identificadas (meta: 32)
- Meta Fase II: Guia ampliado para 90 espécies de interesse comercial
- Origem dos Recursos: Fundo Desenvolve Florestas / SEDEC-MT










