A CNC, principal entidade representativa do setor terciário brasileiro, lançou neste fim de semana, junto às 34 federações e sindicatos filiados, uma campanha nacional contra a PEC que prevê mudanças na jornada de trabalho 6×1 e o fim da escala 6×1. PEC da escala 6×1: Congresso se aproxima do recesso
jornada de trabalho 6×1
Com o lema “A conta já está alta demais. Mudança das regras do trabalho às vésperas da eleição? Agora não”, a campanha ressalta que a alteração ocorre em um momento de fragilidade da economia brasileira. Além disso, juros altos, crédito caro e endividamento das famílias ampliam a pressão sobre o varejo.
O presidente da Fecomércio-MT, Sebastião Gonçalves, o Tião da Zaeli, defendeu que a discussão sobre a jornada de trabalho seja conduzida por meio de negociação entre trabalhadores e empregadores. “Não somos contrários ao debate sobre a jornada de trabalho e à busca por melhores condições para os trabalhadores. O que defendemos é que uma mudança dessa proporção seja tratada com responsabilidade, diálogo e, principalmente, com uma avaliação criteriosa dos impactos sobre quem gera emprego e renda.”
Segundo Tião, os segmentos de comércio, serviços e turismo apresentam características distintas e podem ser afetados de maneiras diferentes por uma regra nacional única. “A nossa defesa é pelo diálogo, pela negociação coletiva e por uma transição responsável. Trata-se de encontrar um equilíbrio que proteja o trabalhador, preserve as empresas e garanta empregos”, afirmou.
A CNC também alerta para o impacto de uma eventual elevação dos custos operacionais. Segundo a entidade, mais de 90% da mão de obra do setor atua atualmente no regime 6×1. Em caso de mudança abrupta, a jornada de trabalho 6×1 poderia ficar mais cara, com reflexos sobre a inflação. Também há riscos de redução de vagas formais e crescimento da informalidade.
O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, reforçou a necessidade de cautela na análise da proposta: “O setor terciário não se opõe ao bem-estar do trabalhador, mas uma decisão dessa magnitude exige análise técnica, diálogo e responsabilidade. A conta para quem produz e emprega no Brasil já está alta demais.”
Para Tadros, eventuais mudanças nas jornadas devem ser construídas por meio de convenções coletivas, respeitando as particularidades de cada região e setor. “O caminho seguro continua sendo a negociação coletiva, que respeita as realidades de cada região e setor. Agora é o momento de preservar a economia e a segurança jurídica do país.”
- Portanto, a campanha frisa a necessidade de debate técnico e responsabilidade.
- Além disso, destaca que mudanças rápidas podem elevar custos e inflação.
- Em conclusão, defende-se negociação coletiva para ajustar jornadas conforme a realidade local.
A CNC chama os senadores à sensatez na análise da PEC. A readequação das jornadas, quando ocorrer, deve respeitar as regras da legislação trabalhista e ser construída por meio de negociações coletivas, sem que o calendário eleitoral determine decisões econômicas de longo prazo. Portal 163 acompanha o tema.










