Portanto, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) projeta que o El Niño no Mato Grosso se fortaleça no segundo semestre de 2026, mantendo 100% de probabilidade de permanência ativo até o começo de 2027.
Além disso, embora o fenômeno ocorra a milhares de quilômetros do Brasil, ele desloca padrões de circulação e altera o regime de chuvas em regiões específicas. No Centro-Oeste, os efeitos devem se traduzir, principalmente, em calor extremo, atraso das chuvas, baixa umidade relativa do ar e um aumento significativo do risco de incêndios florestais.
Segundo especialistas, o atraso no início da estação chuvosa costuma ocorrer entre setembro e outubro. Em Mato Grosso, isso se traduz em um prolongamento do período seco, com dias consecutivos de temperaturas elevadas e índices de umidade baixos, sobretudo nas regiões norte, médio-norte, oeste e na Baixada Cuiabana.
A combinação de vegetação seca, calor intenso e ventos fortes facilita incêndios no Cerrado, no Pantanal e áreas de transição com a Amazônia. Além disso, há maior emissão de fumaça, o que compromete a qualidade do ar e aumenta problemas respiratórios, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.
El Niño no Mato Grosso
Na prática, o tempo seco tende a favorecer a conclusão da colheita de milho de segunda safra e do algodão, reduzindo interrupções causadas por chuvas. Contudo, o atraso das precipitações pode adiar o plantio da soja, principal cultura do estado, influenciando o desenvolvimento das lavouras e das safras seguintes. O fenômeno também pode reduzir a disponibilidade de pastagens, exigindo suplementação para o rebanho em algumas regiões.
Para acompanhar atualizações, acesse Baixa umidade do ar: como Cuiabá enfrenta o tempo seco e leia sobre impactos na gestão de recursos hídricos. Além disso, a situação reforça a necessidade de planejamento agrícola e manejo de pastagens para manter a produção estável.
Pantanal em alerta
O Pantanal mato-grossense continua entre as áreas mais sensíveis aos efeitos climáticos, segundo o Inmet. O menor volume de chuvas reduz os níveis dos rios e eleva o risco de incêndios de grandes proporções, repetindo padrões observados em estiagens passadas. Queimadas intensas afetam o turismo, a biodiversidade e atividades econômicas ligadas ao bioma. Conforme dados, Mato Grosso reduz em 78% focos de calor em julho.
A previsão indica que os efeitos mais intensos devem ocorrer entre a primavera e o verão, com condições mais críticas entre setembro e dezembro, quando as chuvas ainda permanecem incertas. Em suma, a preparação de agricultores, proprietários rurais e gestores de proteção civil é essencial para reduzir impactos na produção, na saúde e na qualidade de vida da população.










