Delegado diz que faltaram provas técnicas suficientes

Delegado Nilson Farias: faltaram provas técnicas suficientes para indiciar empresária no caso Zampieri.
Depoimento do delegado sobre a necessidade de elementos robustos para manter a investigação no caso Zampieri.
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O delegado Nilson Farias, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cuiabá, explicou nesta terça-feira (28), durante o júri popular de três réus pelo assassinato do advogado Roberto Zampieri, por que a empresária Maria Angélica Caixeta Gontijo acabou não sendo indiciada pela Polícia Civil. Ainda assim, faltaram provas técnicas suficientes para sustentar uma acusação formal.

faltaram provas técnicas suficientes

Segundo ele, a prisão temporária foi considerada necessária diante do contexto existente à época. A empresária, natural de Minas Gerais e que também possuía residência na região de Ribeirão Cascalheira, mantinha uma disputa judicial envolvendo valores milionários com Roberto Zampieri e, conforme as investigações, já havia feito ameaças ao advogado. Além disso, ela estava em Cuiabá no período do crime e possuía uma pistola calibre 9 milímetros registrada em seu nome.

“Ela estava aqui, tinha uma pistola 9 milímetros registrada em seu nome. Então, tudo isso facilitou que ela tivesse uma prisão temporária em seu desfavor”, explicou.

Apesar dos indícios, o aprofundamento das investigações não encontrou provas que permitissem responsabilizar a empresária pelo homicídio.

Foram realizadas as seguintes diligências:

Quebra de sigilo telefônico

Análises de Estações Rádio Base (ERBs)

Confronto balístico

Perícias em aparelhos eletrônicos

Oitivas de testemunhas

“Somente quando você tem uma concatenação de informações é que você chega ao indiciamento de alguém”, afirmou. Por isso, o delegado reforçou a necessidade de que haja elementos suficientes para atribuir a autoria do crime.

Entre os fatores considerados pela investigação está o fato de Maria Angélica ter ido a Cuiabá para participar de uma reunião com um político marcada para o dia seguinte ao assassinato. “Ela tinha reunião com prefeito ou governador, alguma coisa assim. Não recordo os nomes, mas sei que ela tinha uma reunião agendada. Inclusive, ela desmarcou a reunião. Foram todas essas circunstâncias que levaram à prisão dela”, disse.

Além disso, segundo o delegado, durante o interrogatório a empresária afirmou que cancelou o compromisso em razão da morte de Roberto Zampieri.

Em seu depoimento, Nilson Farias ressaltou que a decisão de não indiciar uma pessoa não representa necessariamente a conclusão de que ela seja inocente, mas apenas que não existem elementos suficientes para atribuir formalmente a autoria do crime. “Quando eu não indico, estou dizendo que eu, delegado de polícia, entendo que ainda não tenho elementos para falar que foi essa pessoa. Mas também o fato de eu não indicar não significa que eu estou dizendo que ela é inocente. Por mais que eu até ache que possa ter sido, se estiver muito fraco, eu não posso indiciar”, declarou.

O delegado afirmou que o indiciamento exige responsabilidade e provas consistentes, justamente porque pode levar uma pessoa a responder criminalmente perante a Justiça. “Se eu indicasse ela, ela estaria aqui no plenário do júri. Como eu ia explicar agora que não tinha nada, mas mesmo assim entendi que ela tinha que vir a júri? Eu tenho que ter responsabilidade.”

Ele acrescentou que, além de depoimentos, a investigação precisa ser sustentada por provas documentais e técnicas. “Além da prova testemunhal, tem que ter uma prova documental, tem que ter mais elementos. Todo mundo odeia o Chris, mas isso não significa que o Chris tenha matado alguém”, comparou.

Ao concluir essa parte do depoimento, Nilson Farias reforçou que a rivalidade entre a empresária e Roberto Zampieri, por si só, não era suficiente para justificar o indiciamento. “Os dois se odiavam, ela estava aqui no dia, mas não tem contato telefônico, não tem nada no celular. Eu, como delegado, sou bem garantista. Quando indicio é porque não tenho dúvida. E, quando não indício, isso não quer dizer que a pessoa seja inocente”, concluiu.

Portanto, faltaram provas técnicas suficientes para sustentar a acusação.

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