A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), se emocionou ao comentar a grave situação financeira enfrentada pelo município e admitiu que não pode garantir que não haverá demissões na administração. Além disso, com a voz embargada, ela afirmou que o bloqueio de contas precatórios de R$ 19 milhões aumenta a incerteza sobre as contas da prefeitura e pode exigir medidas drásticas de contenção de despesas.
bloqueio de contas precatórios e impactos locais
A declaração ocorreu após reunião no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), onde instalaram uma mesa técnica para discutir alternativas para o pagamento da dívida de precatórios de Várzea Grande e de outros municípios mato-grossenses. Ademais, o município vive um decreto de calamidade financeira.
“Pode ocorrer tudo. Portanto, não saímos com nenhuma decisão que suspenda o arresto”, afirmou a prefeita, com a voz embargada, ao ser questionada sobre cortes de despesas e demissões de servidores.
Moretti explicou que a prefeitura enfrenta uma realidade financeira muito mais difícil do que a vivenciada pela gestão anterior em relação aos precatórios. Ademais, ela comparou os valores pagos pela administração anterior com os desembolsos atuais. Em 2023, a gestão passada desembolsava entre R$ 700 mil e R$ 800 mil por mês com precatórios. Em 2024, a maior parcela paga chegou a R$ 2,5 milhões. Ainda assim, a prefeitura entregou a gestão com dívida em relação aos precatórios.
“Em 2025, paguei R$ 40 milhões em precatórios, mais do que ele pagou na gestão dele toda. Com o arresto, vamos chegar a R$ 80 milhões pagos”, afirmou a prefeita. Além disso, ela ressaltou que, com o bloqueio de contas precatórios, a situação tende a ficar ainda mais desafiadora.
A prefeita classificou a dívida como uma “bola de neve” e explicou que tentou parcelar os débitos, mas a arrecadação não acompanhou o crescimento da obrigação financeira. Ela também reconheceu que, em alguns meses de sua gestão, deixou de pagar parcelas dos precatórios para garantir o funcionamento dos serviços essenciais. “A gente teve que escolher entre pagar o precatório ou salário e remédios para o PS”, lamentou.
O conselheiro do Tribunal de Contas, Antonio Joaquim, explicou que foi criada uma mesa técnica para discutir a situação dos precatórios não apenas de Várzea Grande, mas de todos os municípios de Mato Grosso. Segundo ele, o problema é histórico e exige uma solução construída entre os órgãos de controle e os gestores públicos. “Precatórios não são um problema que nasceu ontem. Nasceram há anos”, afirmou, lembrando que o Congresso Nacional chegou a aprovar a “PEC do Calote”, que trata justamente dos precatórios.
O conselheiro destacou que o Tribunal busca alternativas para auxiliar os municípios no enfrentamento da questão. Sobre Várzea Grande, ele observou ainda que o DAE (Departamento de Água e Esgoto) é o maior devedor de precatórios do município e que essa dívida acabou sendo absorvida pela prefeitura. “Dos cerca de R$ 1 bilhão em precatórios devidos pelo município, aproximadamente R$ 550 milhões são do DAE. E o DAE não tem como pagar porque não tem receita. Como o DAE vai ter receita se não tem água?”, questionou.
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