Suspeito de matar irmã foi solto por erro da Justiça, diz esposa

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A esposa de Marcos Pereira Soares, preso na noite de quarta-feira (11) suspeito de estuprar e matar a própria irmã, afirmou em depoimento à Polícia Civil que ele havia sido solto no último sábado (7), após um erro no sistema judicial. A informação foi confirmada posteriormente pela Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso, que abriu procedimento para apurar o caso.

A vítima, Estéfane Pereira Soares, de 17 anos, estava desaparecida desde a noite de terça-feira (10) e foi encontrada morta em um córrego, em uma área de mata na região do bairro Três Barras, em Cuiabá.

Durante o depoimento, Mariane Mara da Silva, esposa do suspeito, relatou que Marcos deixou o presídio no sábado após a expedição de um alvará que, segundo ela, teria sido emitido de forma equivocada.

“Saiu sábado agora. Saiu com alvará de medida protetiva. O povo achou que ele estava preso por causa da medida protetiva, mas foi um erro”, afirmou.

Segundo ela, a advogada do casal chegou a avisar a família de que a soltura havia ocorrido de forma irregular. “A advogada ligou para nós falando que saiu um alvará errado e que já tinham pedido a captura dele”, relatou.

No depoimento, Mariane contou ainda que, após deixar a prisão, Marcos passou a morar novamente com ela. O casal chegou a iniciar uma mudança de residência por medo de que ele voltasse a ser preso. “Ele falou que não queria voltar para a cadeia. Disse que não ia ficar lá e que, se eu quisesse ir com ele, eu iria”, disse.

A mulher também confirmou que Marcos havia ficado cinco anos preso por um homicídio ocorrido em 2020, quando ele matou um homem próximo à casa onde morava, Severino Messias Santos, de 56 anos, após invadir a residência dele e roubá-lo junto de outros criminosos.

Por este crime, Marcos foi condenado a 19 anos de prisão, mas estava trabalhando fora do presídio em atividades extramuros, quando foi solto pelo erro judicial.

Assassinato da irmã

Estéfane foi encontrada morta na quarta-feira (11). De acordo com a Polícia Civil, o corpo apresentava sinais de violência sexual, informação que ainda será confirmada oficialmente após a conclusão da necropsia realizada pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).

A delegada Jéssica Assis informou que a versão apresentada por Marcos não convenceu os investigadores. Ele afirmou aos policiais que apenas teria encontrado a irmã para conversar e que, após o encontro, cada um seguiu seu caminho.

“Há incongruências bem grandes em tudo que ele falou e representamos pela prisão temporária para dar continuidade às investigações e esclarecer toda a dinâmica dos fatos”, afirmou a delegada.

Corregedoria apura erro

Em nota, a Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso informou que abriu procedimento para apurar as circunstâncias que levaram à soltura do suspeito.

Segundo a análise preliminar, houve possível falha humana na verificação de dados no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP), relacionada à existência de dois registros judiciais vinculados ao nome da mesma pessoa.

A Corregedoria informou ainda que, até o momento, não há indícios de falha no sistema, e que o objetivo da investigação é esclarecer o que ocorreu e identificar eventuais responsabilidades.

Veja a íntegra da nota:

A Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso instaurou procedimento para apurar as circunstâncias relacionadas à soltura de um homem acusado de ter matado a própria irmã, na noite de quarta-feira (11), em Cuiabá.

Em análise preliminar, foi identificada possível falha humana na verificação de dados do Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP), relacionada à existência de dois Registros Judiciais Individuais (RJI) vinculados ao nome da mesma pessoa.

Não há, até o momento, indícios de falha no funcionamento do sistema. A apuração busca esclarecer os fatos e verificar as circunstâncias do ocorrido.

A Corregedoria acompanhará o caso e adotará as medidas cabíveis, observando o devido processo legal.

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