Governo de MT aciona STF contra ampliação de terra indígena

Mapa mostrando a área a ser ampliada para terra indígena, com destaque para a diferença de hectares.
Governo de Mato Grosso contesta no STF a ampliação da terra indígena Manoki, citando inconstitucionalidade.
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O Governo de Mato Grosso protocolou uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender o decreto presidencial que visa a ampliação de terra indígena Manoki, em Brasnorte. A medida, assinada pelo presidente Lula, expandiria a área de 46 mil para 252 mil hectares, sendo contestada pelo estado por ser inconstitucional.

STF analisa inconstitucionalidade da ampliação de terra indígena

A Procuradoria-Geral do Estado (PGE) alega que o ato presidencial viola a Lei 14.701/2023, conhecida como marco temporal. Conforme o documento, a tentativa de ampliação de terra indígena desconsidera o artigo 13, que proíbe a expansão de terras já homologadas.

Ademais, um ponto crucial na ação é a falta de comprovação de ocupação indígena na nova área até 5 de outubro de 1988. Este é o marco temporal estabelecido para o reconhecimento de terras tradicionais.

A PGE apresentou registros que indicam que a área em questão é ocupada por famílias não indígenas desde a década de 1950. Portanto, afirma que não existem vestígios materiais, registros ou presença cultural que comprovem ocupação indígena na data exigida pela Constituição.

Além disso, o governo aponta um grave impacto social e fundiário. A expansão afeta centenas de produtores e famílias com títulos legítimos e Cadastros Ambientais Rurais (CAR) ativos. Em alguns casos, há decisões judiciais que reconhecem a regularidade de sua ocupação.

A ação também critica a ausência de diálogo com o Estado e o município de Brasnorte. Não houve consulta formal aos entes federativos diretamente afetados, o que compromete a legitimidade do processo e afronta o pacto federativo, segundo a PGE.

O governador Mauro Mendes ressalta que a ação não questiona os direitos indígenas. Pelo contrário, busca garantir o respeito à legislação e às garantias fundamentais. Ele declarou: “Não aceitaremos que um decreto presidencial, editado de forma açodada e sem respaldo legal, prejudique quem produz e vive há décadas nessas regiões”.

Atualmente, Mato Grosso possui 73 terras indígenas demarcadas, totalizando mais de 15 milhões de hectares. Isso representa aproximadamente 16% do território estadual.

“Defendemos o meio ambiente, respeitamos as comunidades indígenas, mas exigimos que tudo seja feito dentro da lei. A Constituição não pode ser ignorada para atender interesses ideológicos”, concluiu o governador. O portal [Portal 163](https://portal163.com.br/ampliacao-terras-indigenas-justica-mt/) acompanha de perto as questões fundiárias e ambientais no estado.

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