Apesar de negros minoria política MT representarem 66% da população de Mato Grosso, a presença deles nos espaços de poder estadual e federal ainda é significativamente baixa. Dados do Censo 2022, divulgados pelo IBGE, revelam um cenário de pouca representatividade.
Negros minoria política MT: um retrato da desigualdade
Atualmente, apenas dois parlamentares autodeclarados negros atuam em Mato Grosso: o deputado estadual Jucá do Guaraná (MDB) e a deputada federal suplente Gisela Simona (União). Ambos estão em seus primeiros mandatos, o que acentua a disparidade demográfica.
Gisela Simona, em sua atuação na Câmara dos Deputados, tem priorizado o debate sobre a desigualdade racial. Ela entende que sua posição é uma oportunidade crucial para amplificar essa discussão em nível nacional.
“Para mim, é uma grande oportunidade para incentivar o debate sobre a desigualdade racial, a representatividade e a discriminação, que infelizmente ainda são muito presentes no Brasil e em Mato Grosso”, afirmou Gisela. Ela acredita que a visibilidade de pessoas negras em posições de destaque serve de incentivo, especialmente para os mais jovens.
De modo semelhante, Jucá do Guaraná avalia sua eleição como um marco, mas também como um reflexo da lacuna existente. “É motivo de alegria, mas, ao mesmo tempo, de tristeza saber que sou o único parlamentar eleito que se declarou negro. Em um estado como o nosso, em que quase 60% da população é negra, gostaríamos de ter mais espaço de poder para o povo negro”, disse.
Gisela integra a bancada negra desde sua criação, em 2023, e este ano foi fundamental para a instalação da Comissão Especial que analisará a PEC 27/2024. Essa Proposta de Emenda à Constituição visa criar mecanismos de reparação histórica para a população negra.
No entanto, a deputada destaca a forte resistência que o tema enfrenta no Congresso. “Há muita resistência para tratar da igualdade racial. Foi necessário criar uma bancada negra para recolocar esses temas na pauta do dia. Se dependermos apenas de votos de consenso ou da boa vontade das lideranças, isso simplesmente não acontece”, declarou.
Por outro lado, Jucá acredita que a ocupação de espaços de poder por pessoas negras abre portas para outras. “Quando um negro ocupa um espaço — no empreendedorismo, na política, na área jurídica — automaticamente outros negros ocupam também. O dia 20 de novembro é uma data de reflexão. Este país tem uma dívida com o povo negro; fomos um dos últimos a abolir a escravidão”, afirmou.
A população mato-grossense se autodeclara majoritariamente parda (56%) e preta (9,9%), totalizando 65,9%. Em contrapartida, 32,3% se declaram brancos. Contudo, mesmo sendo a maioria, a população negra enfrenta desigualdades significativas em infraestrutura, renda e acesso a serviços públicos.
Ademais, a participação de pessoas negras nas eleições tem avançado após decisões do TSE e STF. Essas medidas garantem a distribuição proporcional de recursos eleitorais e tempo de propaganda, visando maior competitividade. Assim, embora haja progressos, especialistas apontam que ainda persistem desafios para a ocupação de posições estratégicas e para o recebimento de apoio efetivo das legendas. Para mais informações sobre a atuação política em Mato Grosso, acesse notícias políticas do portal.
Em suma, a questão dos negros minoria política MT evidencia a necessidade contínua de políticas públicas e ações afirmativas para equilibrar a representatividade com a realidade demográfica do estado.









