Mulheres no poder em MT: eleitas poucas, mas com força na democracia

Grupo de mulheres discutindo em roda de conversa, símbolo de sua força e participação política em Mato Grosso.
A força feminina na política mato-grossense: um olhar sobre a luta por igualdade nos espaços de decisão.
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Neste 3 de novembro de 2025, celebramos 95 anos do voto feminino no Brasil, uma conquista histórica que democratizou a participação política. Contudo, a pergunta que atravessa gerações é se essa vitória se traduziu em igualdade nos espaços de poder, especialmente no contexto de mulheres no poder mato grosso.

Realidade Preocupante em Mato Grosso

Como presidente da Assembleia Legislativa, constato uma realidade alarmante: nossa Casa conta com apenas uma deputada estadual, Janaína Riva. No Congresso Nacional, temos igualmente uma única representante do Estado, Gisela Simona. Portanto, apenas duas mulheres em um Estado onde representam a maioria da população.

Essa disparidade se acentua, pois as eleições de 2024 revelam dados preocupantes. Apenas 13 mulheres foram eleitas prefeitas em Mato Grosso, o que representa 9,22% dos 142 municípios. Comparativamente, em 2020, haviam sido eleitas 15. Dessas 13 atuais, nove foram reeleitas; ou seja, apenas quatro novas mulheres assumiram o comando do Executivo municipal.

Enquanto o Brasil avança na direção da equidade de gênero, Mato Grosso segue na contramão. Nacionalmente, o número de prefeitas eleitas cresceu, passando de 656 em 2020 para 724 em 2024. Entretanto, no Estado, apenas 13 municípios elegeram mulheres para o cargo de prefeita. Esses municípios são: Alto Taquari, Aripuanã, Barra do Bugres, Barão de Melgaço, Cáceres, Glória d’Oeste, Jaciara, Nova Maringá, Pedra Preta, Ribeirão Cascalheira, Santa Cruz do Xingu, Santo Antônio de Leverger e Várzea Grande.

Esses números não são meras estatísticas; eles são o retrato de uma democracia que ainda exclui. Mulheres mobilizam comunidades, decidem eleições e constroem bases políticas. No entanto, quando chega a hora de ocupar cadeiras de poder, as portas parecem permanecer fechadas. A presença feminina nos parlamentos ainda parece mais exceção do que regra, um reflexo da dificuldade em ver mulheres no poder mato grosso.

As barreiras são bem conhecidas: financiamento que privilegia homens, estruturas partidárias dominadas por lideranças masculinas e o machismo que questiona a competência das candidatas. Ademais, a dupla jornada e a violência política de gênero afastam as mulheres da política institucional.

Como homem em posição de poder, pai, marido, filho e avô, faço uma reflexão necessária: estamos abrindo portas ou apenas cumprindo protocolos? Mulheres não podem ser tratadas como cotas a preencher ou escadas para angariar votos. Essa lógica perversa desrespeita sua capacidade, inteligência e competência para administrar.

As mulheres trazem uma sensibilidade única para lidar com políticas públicas voltadas aos menos favorecidos. Essa característica não é fraqueza, mas sim uma força que transforma realidades. Sei o quanto é fundamental o papel da mulher em todas as áreas onde ela desejar atuar, não por concessão, mas por direito e por mérito. Veja mais sobre a importância da representatividade em portal163.com.br/representatividade-politica.

A sub-representação feminina em Mato Grosso não é culpa das mulheres mato-grossenses. É, na verdade, resultado de um sistema que impõe obstáculos onde deveria construir caminhos e oportunidades. Bertha Lutz não lutou pelo voto feminino para que, 95 anos depois, as mulheres continuassem sendo exceção nos parlamentos.

Ela lutou por igualdade real, participação efetiva e poder compartilhado. A conquista do voto foi um passo fundamental, mas ainda incompleto. Hoje, precisamos avançar para a igualdade salarial plena, com mulheres recebendo o mesmo que homens em todas as esferas, seja na vida pública ou na iniciativa privada. Portanto, a competência não tem gênero, e o salário também não deveria ter.

Precisamos admitir: a democracia brasileira continua incompleta, e a mato-grossense, mais ainda. Permanecerá assim enquanto metade da população estiver sub-representada. O direito ao voto foi o primeiro passo. Noventa e cinco anos depois, o caminho segue longo e precisa ser percorrido com urgência, para que, de fato, tenhamos mulheres no poder mato grosso.

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