Um dos desdobramentos da Operação Entreposto, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso nesta sexta-feira (7), revelou que um motorista de caminhão investigado por roubo de cargas de soja, na verdade, fazia parte da organização criminosa e fingia ser vítima para despistar as autoridades.
Além disso, segundo a Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Rondonópolis, o homem registrou ocorrências como vítima em crimes com o mesmo padrão de atuação. No entanto, a repetição dos casos chamou a atenção dos investigadores; Roubos de cargas de soja: operação em MT deixou claro que a linha de investigação precisava de maior aprofundamento.
Além disso, durante a apuração, os policiais constataram que o motorista havia sido vítima de outros três roubos com características semelhantes. A recorrência levou a equipe a aprofundar as investigações, que apontaram sua participação direta no esquema criminoso. Além disso, documentos de apoio indicaram que notas fiscais eram usadas para encobrir a carga Operação Rota do Grão: Polícia Civil desmantela esquema de falsificação e desvio de soja.
Assim, com as novas evidências, ele passou da condição de vítima para investigado e foi alvo de um mandado de prisão preventiva cumprido durante a operação. Além disso, a polícia confirmou que o investigado colaborava com a quadrilha e utilizava a função de motorista para dar aparência de legitimidade às ações. Os investigadores destacaram que esse diferencial, de se apresentar como vítima, facilitava o deslocamento dos bens roubados e a dispersão da carga.
As investigações identificaram que a organização era especializada no roubo de cargas de soja nas rodovias BR-163 e BR-364, na região sul de Mato Grosso. Em linhas gerais, os criminosos abordavam caminhões carregados, rendiam os motoristas e mantinham as vítimas em cárcere privado. Era comum que a carga fosse transferida para caminhões de apoio e levada para depósitos improvisados.
Em seguida, os grãos eram transferidos para outros caminhões e seguiam viagem com o apoio de veículos menores, usados como batedores para monitorar fiscalizações da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Ainda, as notas fiscais emitidas por uma empresa de armazenagem pertencente a um dos investigados serviam para “esquentar” a carga. Esses documentos simulavam a legalidade da operação e ajudavam a evitar suspeitas de fiscalização.
Ao todo, a Operação Entreposto cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão em Rondonópolis e Primavera do Leste. A Polícia Civil estima que o grupo seja responsável pelo desvio de aproximadamente 197 toneladas de soja em pelo menos quatro roubos nos últimos meses. Os agentes seguem monitorando possíveis desdobramentos e trabalham na recuperação das cargas remanescentes.
roubo de cargas de soja
- BR-163 e BR-364 na região sul de Mato Grosso foram alvos do grupo.
- O motorista era usado como fachada para as ações criminosas.
- Notas fiscais de uma empresa de armazenagem serviam para dar aparência legal à carga.









