THIAGO STOFEL
DA REDAÇÃO
Apontada como assassina da adolescente Emilly Azevedo Sena, de 16 anos, a jovem Nataly Hellen Martins Pereira teria agido sozinha. Essa é a informação do pai da suspeita, que prestou depoimento na noite desta quinta-feira (13) na Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP).
De acordo com o pai, os outros três presos na tarde de hoje são o marido, o irmão e o cunhado de Nataly. Eles não teriam qualquer relação ou participação no crime.
O pai informou que a filha ligou na quarta-feira (12) para a cunhada dizendo que tinha acabado de ter um filho em casa. A cunhada, que estava trabalhando, ligou para o marido, que foi socorrer a irmã junto com outro cunhado dela.
“Chegaram lá, toparam com as pernas dela toda ensanguentada, a casa cheia de sangue. Aí foram acudir ela, levaram ela e o bebê para o hospital. O outro ficou na casa limpando o chão”, relatou.
Assim como os policiais divulgaram a tarde, o pai disse que a “casa caiu” quando a médica pediu uns exames e a filha se recusou a fazer. “A médica ficou desconfiada e chamou a polícia. Como já tinha um caso de uma mocinha desaparecida, grávida de 9 meses, foram na casa hoje pela manhã”.
O pai disse que o seu genro – que foi preso – chegou a passar por ele quando estava indo socorrer Nataly. “Se ele fala que tava indo socorrer a Nataly que tá ganhando neném, eu tinha entrado no rolo também”, pontuou.
Segundo o pai da jovem, todos acreditaram que a suspeita teve um parto normal. “Homem não tem esses conhecimentos de como procede o parto. Ninguém tinha ideia que tinha um corpo ali”, citou.
O pai colocou que a filha, além de matar uma inocente, envolveu toda a família na trama. “Complicou o irmão, o cunhado. Segundo me falaram, o marido dela estava no trabalho e chegou no hospital quando foi a noite também. Complicou todo mundo e não assume a cagada que fez. Uma atrocidade dessa, ceifar a vida de uma inocente, e ainda colocar a família toda no rolo”, lamentou o homem, que mandou um recado para os familiares da vítima.
“Quero dizer para os familiares da mocinha que eu me sensibilizo muito. A gente cria filhos e não espera estar numa situação dessa aqui. Pra mim é como se eu tivesse perdido minha filha”, finalizou.
Desde que o crime foi descoberto, delegados da DHPP estão colhendo depoimentos dos envolvidos e testemunhas.
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CASO
Emilly foi vista pela última vez na manhã de quarta-feira (12), quando saiu de sua casa, em Várzea Grande, para buscar as doações prometidas por Nataly. Na tarde do mesmo dia, uma enfermeira do Hospital Santa Helena denunciou à polícia que Nataly deu entrada na unidade com uma criança nos braços, alegando que teve parto normal em casa.
Conforme o relato da profissional, a suposta mãe chegou andando normalmente, com o cordão umbilical cortado e um pouco de sangramento na mão. Na avaliação clínica, o colo do seu útero estava fechado, descartando a possibilidade de ela ter tido um parto normal.
Ao pedir para dar de mamar à criança, Nataly informou que não possuía leite e insistiu em ir embora ao perceber a desconfiança da enfermeira. A Polícia Militar esteve no local e a encaminhou à delegacia.
Em investigação, policiais foram até a residência da suspeita nesta quinta e encontraram Emilly enterrada em cova rasa no quintal, com ferimentos que apontam requintes de crueldade.
Até o momento não se sabe qual era intenção dos suspeitos em roubar a criança, já que Nataly possui filhos, mas as autoridades não descartam a possibilidade de tráfico de bebês.
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