Julgamento feminicídio noiva: Réu confessa crime e culpa vítima

Réu Wendel dos Santos Silva em julgamento por feminicídio de sua noiva Leidiane Ferro da Silva, confessando o crime.
Wendel dos Santos Silva chora e confessa ter matado a noiva, mas tenta culpar a vítima no julgamento.
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Homem chora e confessa ter matado a noiva a facadas, mas tenta culpar a vítima, em um julgamento que chocou a cidade. Wendel dos Santos Silva, de 38 anos, vulgo “Xexeu”, é julgado nesta quinta-feira (18) pelo Tribunal do Júri pelo julgamento feminicídio noiva cometido contra Leidiane Ferro da Silva, de 43 anos, em abril de 2023, em Peixoto de Azevedo.

O julgamento do feminicídio da noiva

A sessão plenária, presidida pelo juiz João Zibordi Lara, é transmitida ao vivo pelo canal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) no YouTube. Durante o depoimento, Wendel chorou copiosamente, e ainda tentou, insistentemente, colocar a vítima como a principal responsável pelo crime. Portanto, suas tentativas de se esquivar do assunto foram notórias.

Ao ser questionado sobre o ocorrido, o réu tentou se alongar sobre supostos maus-tratos por parte de Lediane. Ele era interrompido várias vezes pela promotora, mas sempre fugia do tema central. Sobre o dia do crime, Wendel declarou apenas: “Só lembro de ter pegado a faca, senhora”.

A promotora de Justiça Andreia Monte Alegre qualificou o réu como “covarde”. Ela ressaltou que, apesar de tentar se apresentar como um homem bom, ele desferiu pelo menos seis facadas em sua noiva. “É muito forte assistir a um covarde, que desferiu pelo menos seis facadas numa vítima, vir aqui ter a coragem ainda de querer culpar a vítima, se fingindo e se colocando como um bom homem, um bom trabalhador e bom filho. Só Lediane sabe por quantas vezes foi vítima de violência doméstica e nunca registrou um boletim de ocorrência”, afirmou a promotora.

Ademais, a promotora relembrou que, enquanto foragido após o crime, Wendel fez postagens nas redes sociais atacando a Lei Maria da Penha e ofendendo mulheres. Em uma delas, ele escreveu: “Essa maldita lei que defende as mulheres para ficar humilhando os homens. O homem tem que ficar calado porque se falar alto com elas, elas mandam prender. Pois agora vocês vão me prender morto, lei desgraçada”.

Ao ser interrogado no plenário, Wendel confirmou as postagens e admitiu ter enviado mensagens ofensivas à ex-cunhada, poucas horas após assassinar Lediane. Assim, suas ações pós-crime reforçam a narrativa da promotoria.

O crime: violência doméstica em Peixoto de Azevedo

A denúncia do Ministério Público detalha que, no dia 15 de abril de 2024, por volta das 12h40, na residência do casal em Peixoto de Azevedo, Wendel dos Santos Silva, com “manifesta intenção homicida, em situação de violência doméstica, com emprego de arma branca e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima”, assassinou Lediane Ferro da Silva. A vítima morreu em virtude dos golpes de faca, conforme laudo pericial.

Segundo as investigações, Lediane já sofria violência doméstica por parte do noivo. No dia do assassinato, ela chegou a conversar com a enteada para pedir que Wendel se retirasse de casa, devido às constantes discussões. A enteada foi até a residência para pedir ao pai que fosse embora. No entanto, ele se recusou, discutiu com a noiva e, em seguida, pegou uma faca e desferiu vários golpes contra a vítima. Wendel fugiu logo depois.

Câmeras de segurança da residência gravaram a cena do crime. Dois meses antes do feminicídio, a mesma câmera já havia registrado Wendel aplicando um golpe de mata-leão em Lediane, que chegou a desfalecer no chão. Para mais notícias da região, acesse nosso portal: portal163.com.br.

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