A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) tem incentivado seus associados a adotarem práticas sustentáveis, vendo na Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF) uma estratégia poderosa. Essa tecnologia busca aliar produção responsável com a conservação de recursos naturais, apresentando-se como alternativa para aumentar a produtividade sem descuidar do meio ambiente.
O que é a ILPF?
A ILPF é um sistema que une atividades agrícolas, pecuárias e florestais em uma mesma área. Isso pode ser feito por meio de consórcio, rotação ou sucessão de culturas. Essa abordagem integrada gera diversas sinergias benéficas, como:
- Recuperação de áreas degradadas.
- Aumento da produtividade com menor uso de insumos.
- Sequestro de carbono e redução de emissões de gases de efeito estufa.
- Melhora da qualidade do solo.
- Maior conforto térmico para os animais.
- Diversificação de renda e maior estabilidade econômica para o produtor.
Sustentabilidade e produtividade lado a lado
Segundo Gilson Antunes de Melo, vice-presidente Oeste da Aprosoja MT, a sustentabilidade e a produtividade caminham juntas na ILPF.
“Sustentabilidade é a palavra de ordem hoje na agricultura, na pecuária. Quando você tem uma utilização maior das áreas abertas, plantando soja, milho, plantando braquiária dentro do milho e fazendo uma terceira safra, isso traz renda para o produtor, traz segurança para o segmento e muita qualidade para o meio ambiente também”, ressalta Gilson.
Resultados práticos no campo
O produtor Cleto Webler, de Sapezal, compartilha sua experiência com a ILPF em sua propriedade, destacando a necessidade de atenção e cuidado, similar a outras culturas.
“Eu acredito que se trata de uma cultura que exige um cuidado especial. O ILPF não muda em nada o manejo de uma soja bem plantada, de um milho ou do algodão. A questão também está ligada à agricultura regenerativa, e acredito que esse é o caminho. A gente percebe uma melhora biológica, especialmente em áreas mais limitadas em teor de argila, onde estamos utilizando essas práticas”, relata o produtor.
Estudos da Embrapa Agrossilvipastoril indicam que sistemas ILPF podem sequestrar até 39,5 toneladas de carbono equivalente por hectare em quatro anos. Isso supera as emissões de gases de efeito estufa da pecuária, especialmente com o uso de rotação de culturas, como soja e milho consorciado com braquiária.
Essa combinação beneficia o solo, aumentando a matéria orgânica, melhorando a estrutura física e estimulando a atividade microbiana, o que contribui para o aumento dos estoques de carbono. A Aprosoja MT apoia os produtores na implementação dessas práticas, reforçando o papel de Mato Grosso na adoção de tecnologias que garantem a segurança alimentar e a sustentabilidade para as futuras gerações.
Benefícios ambientais visíveis
Na Fazenda Gravataí, em Itiquira, o diretor Odair Fernando Ferrari conta que a ILPF trouxe desafios, mas também benefícios ambientais notáveis.
“Passamos a evoluir os conceitos de sustentabilidade e regeneração no nosso dia a dia e em nossas atividades, desde o campo até as estruturas. Também desenvolvemos ações voltadas à preservação de nascentes de água. Dessa forma, recuperamos as nove nascentes existentes nas propriedades, que passaram a ser utilizadas apenas em casos extremos, sempre com os devidos licenciamentos ambientais. Temos orgulho de poder fazer parte de atividades sempre voltadas ao zelo e ao cuidado com a sustentabilidade”, afirma o produtor.
A ILPF se consolida como uma alternativa para intensificar o uso da terra de forma sustentável, conciliando produção de alimentos e conservação ambiental. Com o suporte da Aprosoja MT, Mato Grosso se destaca na adoção de práticas que visam a segurança alimentar atual e a sustentabilidade futura.










