O juiz Jean Garcia Bezerra Freitas, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, negou o pedido de soltura de Joseph Ibrahim Karghy Junior, conhecido como herdeiro do Comando Vermelho em Mato Grosso. Ademais, o magistrado recebeu a denúncia contra ele, alvo da Operação Tempo Extra.
Herdeiro do Comando Vermelho e evidências da organização
A denúncia do Ministério Público aponta vídeos e áudios onde o acusado se autodenomina responsável por “ritmar o Comando Vermelho na capital mato-grossense”. Ele utilizava o codinome “rc57”, em alusão ao grupo “Bonde do 157”, vinculado à facção.
Além disso, há indícios de movimentações financeiras ilícitas. Essas incluem a aquisição de um Toyota Corolla com R$ 40 mil de origem duvidosa e o uso de contas de familiares para movimentar recursos do grupo. Portanto, a organização criminosa parece ter uma estrutura complexa.
A defesa do agora réu alegou falta de contemporaneidade dos fatos e pediu a aplicação de medidas cautelares diversas da prisão. Sustentaram também a violação ao princípio da homogeneidade, pois a pena provável seria menos severa.
No entanto, o juiz rejeitou todos os argumentos da defesa, afirmando que os indícios de autoria e materialidade persistem. A prisão é, portanto, imprescindível para a garantia da ordem pública.
“Foram descortinadas ações ilícitas diretamente relacionadas à organização criminosa Comando Vermelho, fato que, por si só, já evidencia a expressiva gravidade concreta do delito e reclama uma resposta jurisdicional imediata e assertiva”, destacou o magistrado.
Jean Bezerra também rejeitou a falta de contemporaneidade, pois o crime de integrar organização criminosa é de natureza permanente. O risco à ordem pública permanece enquanto o vínculo com a facção subsistir.
Operação Tempo Extra e o papel do herdeiro do Comando Vermelho
Deflagrada em setembro, a Operação Tempo Extra é um desdobramento direto da Operação Apito Final. As operações visam desarticular a organização criminosa, sufocando-a financeiramente e impedindo sua reestruturação. Por conseguinte, busca-se evitar a retomada de áreas estratégicas.
Investigações apontaram que Joseph Ibrahim Khargy Junior tinha a missão de reestruturar financeiramente a organização após a prisão do principal líder, Paulo Witer Farias Paelo, o W.T. A prisão de W.T ocorreu em abril de 2024, durante a Operação Apito Final, que também bloqueou valores e bens dos líderes da facção. Para mais detalhes sobre as operações, acesse nossa cobertura.










