A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira (18/11) a Operação Compliance Zero, desvendando um complexo esquema de títulos falsos. Policiais realizam buscas no Banco de Brasília (BRB), instituição financeira envolvida nas investigações.
Daniel Vorcaro e esquema de títulos falsos
Daniel Vorcaro, do Banco Master, foi preso preventivamente, sendo apontado como participante direto nas fraudes. A operação também capturou o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, e o tesoureiro do banco, Alberto Félix. Assim, a investigação aponta para uma alta cúpula envolvida no esquema de títulos falsos.
Além das prisões, a PF apreendeu bens de alto valor, como carros de luxo, obras de arte, relógios e R$ 1,6 milhão em espécie. Notavelmente, pilhas de dinheiro foram encontradas na residência de Augusto Lima em São Paulo.
Ao todo, são cumpridos 32 mandados judiciais em cinco estados: Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Bahia. A Justiça Federal expediu as ordens após representação da PF com apoio do Ministério Público Federal (MPF).
Até o momento, seis pessoas foram detidas, quatro preventivamente e duas temporariamente. Adicionalmente, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 12,2 bilhões em contas bancárias ligadas ao grupo investigado.
A operação ocorre um dia após o anúncio da compra do Banco Master por um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos, em parceria com a Fictor, com um aporte inicial de R$ 3 bilhões. Em suma, o momento da deflagração é de grande relevância.
O que dizem as instituições
Em nota, o BRB reiterou seu compromisso com a conformidade e transparência, informando ter prestado todas as informações solicitadas ao MPF e ao Banco Central. “O Banco segue operando normalmente, garantindo a continuidade integral dos serviços”, assegurou a instituição.
O consórcio liderado pela Fictor informou ter tomado conhecimento da Operação Compliance Zero pela imprensa. “A operação envolvendo o Banco Master estava integralmente condicionada à análise e à aprovação prévia dos órgãos reguladores”, declarou o grupo.
O consórcio reafirmou seu “absoluto respeito ao Banco Central do Brasil e aos demais órgãos de segurança e controle”, assim como seu compromisso com a integridade do sistema financeiro brasileiro.
Como funcionava a fraude
A investigação, iniciada em 2024 a partir de uma requisição do MPF, detectou irregularidades na composição de carteiras de crédito. O Banco Central (BC) identificou a fabricação artificial de títulos sem lastro real, vendidos posteriormente a outras instituições, incluindo o BRB. Dessa forma, a fraude foi sendo estruturada.
Conforme a PF, a manobra demonstrava uma tentativa de acobertar o ilícito inicial, indicando um mecanismo estruturado de fraude envolvendo a alta cúpula. Para saber mais sobre investigações como esta, acesse Operação Federal desmantela rede de tráfico de armas.
O nome “Compliance Zero” simboliza o “total desprezo pelas regras básicas de compliance”, segundo os agentes, uma crítica direta à atuação deliberada para fraudar controles. Portanto, a seriedade da operação é evidente.
Próximos passos da investigação
Os investigados serão ouvidos pela PF e poderão responder a processos criminais e sanções administrativas. Ademais, a PF aprofundará a análise sobre a origem dos recursos e eventuais beneficiários finais.
As demais instituições financeiras citadas ainda não se manifestaram publicamente. A investigação segue sob sigilo.








