A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) confirmou nesta quarta-feira (29) a exoneração de Regis Poderoso de Souza, servidor comissionado investigado na Operação Sepulcro Caiado. A ação policial apura um complexo esquema de fraudes que teria desviado R$ 21 milhões de depósitos judiciais do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Regis Poderoso de Souza ocupava o cargo de assessor técnico legislativo na ALMT desde 18 de fevereiro de 2025, com uma remuneração bruta de R$ 9,5 mil. Sua demissão ocorreu após a deflagração da operação, conduzida pela Delegacia de Estelionato de Cuiabá.
Esquema de Desvio em Depósitos Judiciais
As investigações indicam que Regis fazia parte de um grupo que criava processos judiciais falsos para simular o pagamento de dívidas. Para isso, utilizavam procurações e guias de depósitos judiciais forjadas, com valores elevados, com o objetivo de induzir o juiz a expedir alvarás para liberação de dinheiro.
“As investigações apontam que ele faria parte de um complexo esquema de fraudes para desviar recursos da Conta Única do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, onde são feitos os depósitos judiciais de ações que tramitam no Poder Judiciário.”
A operação policial resultou na prisão de 11 pessoas, incluindo advogados e servidores do próprio TJMT. O grupo é suspeito de ter desviado cerca de R$ 21 milhões através dessa modalidade criminosa.
Suspeitas de Fraudes entre 2018 e 2022
Os levantamentos iniciais identificaram 17 processos protocolados pelo grupo entre os anos de 2018 e 2022. Uma mudança na metodologia de transferência de valores pelo TJMT a partir de 2023 impediu a identificação de fraudes mais recentes com o mesmo método.
Entre as vítimas do esquema estão empresários e pessoas físicas que descobriram processos em seus nomes com dívidas declaradas como quitadas, podendo chegar a R$ 1,8 milhão, mesmo quando os empréstimos originais eram de apenas R$ 100 mil. Um dos casos mais graves envolveu uma pessoa que estava interditada judicialmente.
“Em um dos casos mais graves, uma pessoa interditada judicialmente foi vítima do esquema.”










