Em um gesto de amor que atravessa a dor, o Pronto-Socorro e Hospital Municipal de Várzea Grande (PSHMVG) realizou a captação de órgãos Várzea Grande, pela segunda vez desde sua fundação e a primeira na gestão da prefeita Flávia Moretti. Assim, uma força-tarefa mobilizou múltiplos órgãos, beneficiando cinco pessoas que aguardavam por uma nova chance de viver em diferentes estados do país.
Em meio ao luto, a família aceitou doar os órgãos, permitindo o compartilhar de esperança para outras famílias necessitadas. Afinal, no Brasil, a autorização dos parentes é obrigatória e, muitas vezes, a decisão rápida pode ser determinante para salvar vidas.
Captação de órgãos Várzea Grande: um ato de esperança
Segundo a médica Adriana Podanowski, que coordenou a equipe do PSHMVG, foi necessário um intenso trabalho de mobilização. “Desde a madrugada, profissionais de diversas áreas se uniram, em parceria com a Central Estadual de Transplantes de Mato Grosso, para que tudo acontecesse dentro dos protocolos exigidos. Esse é um momento de sensibilidade, mas também de conscientização sobre a importância da doação de órgãos”, destacou.
Foram captados rins, fígado e córneas, que foram destinados a pacientes de três estados que aguardavam em fila nacional pelo transplante. Para a prefeita Flávia Moretti, o feito histórico representa mais do que um avanço médico; é um símbolo de solidariedade. “A decisão dessa família vai muito além da tragédia que a atingiu. Ela se traduz em vida, esperança e amor”, afirmou a gestora.
Uma corrida contra o tempo pela captação de órgãos
O Dr. Luiz Gustavo Diaz, cirurgião geral de transplante de fígado do Distrito Federal, explicou a complexidade da operação e como o Brasil inteiro se mobiliza nesses casos. “Cada estado tem a sua Central de Transplantes e, quando surge uma doação, todos estudam a logística para garantir que os órgãos cheguem em tempo aos pacientes da fila. Portanto, é uma corrida contra o tempo, que envolve equipes altamente especializadas e protocolos rigorosos”, explicou.
Atualmente, cerca de mil pacientes aguardam um transplante de fígado no Brasil. Todavia, o órgão mais solicitado é o rim, com aproximadamente 300 mil pessoas na fila de espera. “Quando surge uma doação, o país inteiro se movimenta. Cada órgão representa uma oportunidade de vida e por isso cada segundo é precioso”, ressaltou.
A logística envolveu equipes médicas do Distrito Federal, da Central de Transplante do Estado de Mato Grosso e do Pronto-Socorro de Várzea Grande. Além disso, a escolta dos órgãos até o aeroporto contou com apoio da Guarda Municipal. A operação foi coordenada pela inspetora Célia Rodrigues.
“É um momento de grande responsabilidade e emoção. Saber que outras vidas poderão ser salvas causa uma comoção”, disse emocionada.
Orgulho para Várzea Grande com captação de órgãos
Para a subsecretária municipal de Saúde de Várzea Grande, Erika Carvalho, o feito histórico mostra a importância de investimentos e de uma gestão humanizada. “Ter a nossa unidade envolvida em uma ação dessa dimensão mostra o quanto o Pronto-Socorro de Várzea Grande está preparado para atuar com excelência. Essa captação representa o esforço coletivo de profissionais comprometidos”, destacou.
A subsecretária pontua que há uma tratativa com a Central de Transplante do Estado para implantar uma Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) na unidade. Por conseguinte, a unidade várzea-grandense se tornará ainda mais referência para Mato Grosso.
A coordenadora da Central Estadual de Transplantes, Anita Ricarda da Silva, destaca que a Central investe em capacitações voltadas aos profissionais dos hospitais. “Trabalhamos incansavelmente em ações para conscientizar a sociedade e as equipes notificadoras, pois a doação de órgãos e tecidos só é possível com o apoio coletivo. Assim, a captação de múltiplos órgãos é uma operação complexa”, frisou.
Para a Secretária Municipal de Saúde, Deisi Bocalon, esse é um momento de muita emoção. “É emocionante! Isso é lutar pela vida. Agradecemos imensamente à família que, mesmo vivendo um momento de dor profunda, teve a generosidade de permitir que outras pessoas fossem beneficiadas. Esse ato de amor transcende a perda e se transforma em esperança”, declarou.
A médica Michelli Dalto, da equipe de captação de rins do Estado, destacou que Mato Grosso vem crescendo no número de captações, mas reforçou a importância do diálogo familiar. “A dor da perda é imensa, mas a doação transforma essa dor em esperança. Uma única decisão pode salvar muitas vidas. É fundamental que as famílias conversem sobre a importância de doar”, afirmou.
Atualmente, o Hospital São Mateus, em Cuiabá, é o único no estado habilitado para realizar transplantes renais. Contudo, o Estado trabalha para, em breve, habilitar também procedimentos de transplante hepático. Por isso, isso vai ampliar ainda mais as possibilidades de salvar vidas dentro de Mato Grosso. Saiba mais sobre os avanços da saúde em nosso portal, por exemplo, em notícias sobre saúde.










