A certidão de óbito do padre João Bosco Penido Burnier foi retificada pelo Governo Federal. Assim, o Estado brasileiro reconhece oficialmente a morte violenta do religioso. Ele foi assassinado em 1976, durante a ditadura militar, em Mato Grosso.
Padre João Bosco: Morte Violenta Reconhecida pelo Estado
O padre João Bosco foi morto com um tiro na nuca, em outubro de 1976. Ele defendia duas mulheres que estavam sendo torturadas em uma delegacia em Ribeirão Cascalheira (MT). O policial responsável nunca foi processado, pois o regime considerou o ato um “acidente”.
Em 2010, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) já havia reconhecido que o sacerdote “morreu por causas não naturais em dependências policiais por ter participado ou ter sido acusado de participação em atividades políticas”. Contudo, o documento foi alterado, descrevendo a morte como “não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática à população, identificada como dissidente política por regime ditatorial”.
O Testemunho de Dom Pedro Casaldáliga sobre o Padre João Bosco
O bispo emérito de São Félix do Araguaia, Dom Pedro Casaldáliga, testemunhou o homicídio do padre João Bosco. Conforme relatos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ambos foram à delegacia para proteger as mulheres. Burnier teve um desentendimento com policiais antes de ser agredido e assassinado.
Dom Pedro Casaldáliga narra em um de seus livros que, após a missa de sétimo dia, a população local protestou. Posteriormente, eles foram até a delegacia, libertaram os presos e ergueram uma igreja no local, apesar da oposição da polícia. Esta luta em defesa dos direitos humanos se reflete em nosso trabalho no portal: Saiba mais sobre direitos humanos em Mato Grosso.
A solenidade de correção da certidão de óbito ocorreu na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Além do padre João Bosco, outras 62 pessoas, vítimas da ditadura militar, também tiveram seus documentos retificados.
Origem e Legado do Padre João Bosco
Nascido em Juiz de Fora (MG), padre João Bosco foi um jesuíta com forte atuação na defesa dos povos indígenas. Ele também atuou como missionário em Diamantino (MT), cuidando de membros das etnias Bakairi e Xavante. Sua vida foi marcada pela luta pela justiça social e pelos direitos das minorias.










