O Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso deve sentir o impacto do aumento de tarifas imposto pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A estimativa aponta para uma queda de R$ 648 milhões, o que representa 0,21% do PIB estadual.
A informação é de um relatório recente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), que analisou os dados econômicos brasileiros até julho deste ano. Mato Grosso figura como o 16º estado que mais exporta para os Estados Unidos, com um volume de US$ 415 milhões em 2024, o que corresponde a 1,5% de todas as exportações mato-grossenses.
Impacto no Agronegócio Local
Segundo o economista Vivaldo Lopes, o agronegócio brasileiro é o setor mais afetado pelo chamado “tarifaço”, com destaque para a carne bovina em Mato Grosso.
“Os produtos que Mato Grosso exporta continuaram tributados, Mato Grosso é afetado. Por outro lado, essas exportações de Mato Grosso representam só 1,5% das exportações. Portanto, não vai afetar a economia de Mato Grosso, mas vai atrapalhar alguns setores específicos. [Frigoríficos como] Marfrig, JBS e Minerva provavelmente vão reduzir parte das suas produções nas suas plantas industriais.”
Ele ainda ressalta que essa possível redução na produção pode impactar diretamente os pecuaristas.
“E se vão reduzir a produção nos seus frigoríficos, vão comprar menos gado dos fazendeiros, dos pecuaristas, portanto afeta setorialmente, mas, em termos gerais, quase não afeta nada a economia de Mato Grosso”, avalia Lopes.
Sinais de Alerta em Mato Grosso
Os primeiros indícios dessa conjuntura já foram observados no estado. Houve paralisação das atividades na unidade da Marfrig em Várzea Grande e o sindicato dos frigoríficos sinalizou que empresas exportadoras podem conceder férias coletivas aos trabalhadores.
Reação do Setor
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) informou que a nova tarifa de 50% se somará aos 26,4% já existentes nos EUA sobre a carne brasileira, totalizando 76% de impostos. Para a entidade, essa carga tributária inviabiliza a exportação de carne para o país norte-americano.
“A entidade está em diálogo com os importadores norte-americanos e colabora com o governo federal na busca de uma solução negociada. A ABIEC seguirá atuando de forma propositiva, em parceria com o setor público e os importadores, para preservar a competitividade da carne bovina brasileira, assegurar previsibilidade aos exportadores e contribuir com o equilíbrio do comércio internacional e da segurança alimentar global”, declarou a ABIEC em nota.
Otimismo e Diversificação
Apesar do cenário, o Instituto Mato-grossense da Carne (Imac) mantém o otimismo. O setor tem investido na diversificação de mercados, alcançando atualmente 77 países consumidores.
Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que, nos primeiros seis meses de 2025, os produtores mato-grossenses exportaram 368,8 mil toneladas de carne bovina, um aumento de 5,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A China lidera como principal destino, adquirindo 49,5% da carne exportada de Mato Grosso. Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com 7,2%. Outros mercados importantes incluem:
- Chile
- Rússia
- Egito
- Filipinas
- Arábia Saudita
- México
- Itália
- Espanha
- Israel
- Líbano
- Holanda
- Albânia
- Turquia
A diversificação visa garantir a estabilidade das exportações mesmo diante de barreiras em mercados específicos.










