Mato Grosso lidera o ranking nacional de feminicídios pelo segundo ano consecutivo. Os números são alarmantes, com 47 mulheres assassinadas em 2024 e outras 28 mortes registradas no primeiro semestre de 2025.
Cenário alarmante
Dados do Observatório Caliandra, do Ministério Público Estadual, mostram que mais de 70% dos feminicídios ocorreram dentro da casa da vítima. Cerca de 43% dos crimes foram cometidos com armas brancas. Mulheres jovens, entre 25 e 29 anos, são as mais atingidas, seguidas por faixas etárias entre 40-44 e 50-54 anos.
SUAS: Rede de apoio fundamental
Diante da gravidade dos crimes, políticas públicas efetivas são urgentes. O Sistema Único de Assistência Social (SUAS) se destaca como uma rede essencial de proteção para mulheres em situação de vulnerabilidade. Através da Proteção Social Especial, o SUAS oferece suporte a famílias e indivíduos em risco.
O principal equipamento para esses atendimentos é o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS). O CREAS garante acolhimento, escuta qualificada, orientação jurídica e apoio psicológico, além de articular com outras políticas públicas.
Psicologia: Cuidado essencial
A Psicologia desempenha um papel central no processo de acolhimento às vítimas. Psicólogas e psicólogos oferecem escuta sensível, apoio na elaboração de traumas e estratégias para enfrentar a violência. Esse cuidado é vital para quebrar o ciclo da violência e fortalecer a autoestima e a saúde mental das mulheres.
Reconstrução da vida
O SUAS foca não apenas na resposta imediata à violência, mas também na reconstrução da vida das mulheres. O sistema promove o resgate da autoestima, o fortalecimento de vínculos e a reinserção no mercado de trabalho, buscando a autonomia e cidadania.
Violência doméstica: Um problema de saúde pública
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a violência doméstica como um grave problema de saúde pública. As vítimas muitas vezes vivem em ciclos de agressão e enfrentam dificuldades para obter proteção real.
“O trabalho do CREAS destaca-se não apenas pela oferta de serviços, mas pela atuação qualificada de suas equipes, que enfrentam cotidianamente concepções culturais arraigadas e naturalizadas sobre o papel da mulher na sociedade.”
Ação coordenada é chave
A prevenção e o combate à violência contra a mulher exigem uma ação coordenada entre saúde, educação, segurança pública, justiça e assistência social. O SUAS cumpre seu papel ao integrar essa rede de proteção.
“Fortalecer os equipamentos da assistência social, capacitar as equipes – incluindo assistentes sociais, psicólogas e psicólogos – e ampliar os recursos destinados às políticas públicas é mais do que uma medida administrativa — é um compromisso com a vida e a dignidade das mulheres mato-grossenses.”
Junio de Souza Alves é psicólogo do SUAS/CREAS e membro do MovimentaPSI










