Lula sobre tarifas de Trump: “Seriedade não exige subserviência”

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O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou a recente crise diplomática com os Estados Unidos, afirmando que o Brasil trata as tarifas impostas pelo ex-presidente Donald Trump com seriedade, mas exige respeito na relação bilateral.

A medida, que prevê uma taxa de 50% sobre produtos brasileiros, deve entrar em vigor nesta sexta-feira (1º de agosto).

Relação Brasil-EUA sob tensão

Durante entrevista ao jornal norte-americano The New York Times, realizada no Palácio da Alvorada, em Brasília, Lula destacou a postura brasileira no impasse.

“Tenham certeza de que estamos tratando isso com a máxima seriedade. Mas seriedade não exige subserviência”, declarou o presidente.

Ele enfatizou a importância de ser tratado com o devido respeito nas negociações internacionais.

“Trato a todos com muito respeito. Mas quero ser tratado com respeito”, afirmou Lula ao veículo de comunicação.

O presidente ressaltou que o Brasil não se colocará em posição de inferioridade em negociações com potências econômicas e militares como os Estados Unidos.

“Em nenhum momento o Brasil negociará como se fosse um país pequeno contra um país grande”, frisou o petista.

Lula expressou frustração com a falta de diálogo por parte da Casa Branca.

“Ninguém quer conversar. Pedi para entrar em contato. Designei meu vice-presidente, meu ministro da Agricultura, meu ministro da Economia, para que cada um possa conversar com seu homólogo e entender qual seria a possibilidade de diálogo. Até agora, não foi possível”, lamentou.

Críticas ao método de Trump

O líder brasileiro criticou a forma como Trump anunciou as tarifas, sem um canal de diálogo prévio.

“Só para vocês terem noção do cronograma, realizamos 10 reuniões sobre comércio com o Departamento de Comércio dos EUA. Em 16 de maio, enviamos uma carta solicitando uma resposta dos Estados Unidos. A resposta que recebemos foi por meio do site do presidente Trump, anunciando as tarifas sobre o Brasil”, observou.

Ele considerou o comportamento do ex-presidente americano um desvio dos padrões diplomáticos.

“O comportamento do presidente Trump se desviou de todos os padrões de negociação e diplomacia”, frisou Lula.

“Quando você tem um desentendimento comercial, um desentendimento político, você pega o telefone, marca uma reunião, conversa e tenta resolver o problema. O que você não faz é cobrar impostos e dar um ultimato.”

Interferência nas eleições americanas?

O The New York Times sugere que os ataques de Trump ao Brasil podem ter sido motivados por uma tentativa de auxiliar seu aliado político, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo Lula, essa estratégia de defesa de Bolsonaro pode prejudicar os consumidores americanos, que enfrentarão preços mais altos em produtos como café e carne bovina.

“Nem o povo americano nem o povo brasileiro merecem isso. Porque vamos passar de uma relação diplomática de 201 anos de ganhos mútuos para uma relação política de perdas mútuas”, alertou o presidente.

Sanções ao STF e Eduardo Bolsonaro

As tarifas de Trump também miram o Supremo Tribunal Federal (STF) por decisões contra empresas de tecnologia americanas. Ministros do STF, incluindo Alexandre de Moraes, tiveram vistos para os EUA revogados.

Eduardo Bolsonaro estaria em Washington buscando a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Moraes.

“Se o que você está me dizendo for verdade, é mais sério do que eu imaginava. O Supremo Tribunal Federal de um país precisa ser respeitado não só pelo seu próprio país, mas pelo mundo”, declarou Lula, demonstrando preocupação com a situação.

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