Em relatório policial, o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) descreveu indícios da possível existência de um dossiê supostamente montado pelo presidente da Câmara de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), para reunir provas e manter aliados “na linha”, garantindo sustentação e apoio à frente do parlamento.
Segundo o relatório técnico, quem contrariasse Cerqueira ou indicasse intenção de ruptura seria exposto e alvo de retaliações, conforme relatou ao Gaeco uma fonte anônima. O caso segue sob sigilo, mas a reportagem teve acesso ao documento que fundamentou a operação Cathedra Venalis, deflagrada contra 13 vereadores de Várzea Grande e dois de Cuiabá (Cuiab).
Um dos episódios envolve a vereadora Gisa Barros (União Brasil), que registrou boletim de ocorrência contra o vereador Kleberton Feitoza (PSB). Ele a teria constrangido ao afirmar que possuía gravações do suposto recebimento de um mensalinho de R$ 10 mil pago pelo presidente. Ela usou a tribuna da Câmara para denunciar a “perseguição” do colega.
O documento também descreve que, em maio deste ano, durante a disputa pela reeleição à presidência da Câmara, Wanderley teria intensificado ofertas para cooptar e assegurar votos em um escritório situado na casa da mãe do parlamentar.
O local estaria equipado com câmeras ocultas e, como salvaguarda, Cerqueira ainda teria recolhido assinaturas de cartas de renúncia, utilizadas para constrangimento e pressão política. Outro caso citado trata do vereador Rogerinho Dakar (PSDB), que foi exposto com maços de dinheiro após se distanciar politicamente de Wanderley.
Todo o material estaria sob guarda da Secretária Legislativa de Gestão e Planejamento da Câmara de Cuiabá (Cuiab), Loreneide Aparecida Trindade Inhan, apontada como pessoa de confiança de Wanderley, também alvo da operação para verificar a existência de tais registros. As investigações devem prosseguir com a análise de todos os eletrônicos apreendidos na ação.











